segunda-feira, 14 de março de 2011

O dia que levei uma surra

Foto: saudeonline-cb.blogspot.com

Já contei para vocês que tomei uma senhora surra há alguns anos?

Acho que não. Tudo aconteceu mais ou menos assim...

Não lembro exatamente a idade, mas eu devia ter 12 ou 13 anos.

Era mais um dia nublado de outono da fria capital gaúcha. Por algum motivo qualquer, acabei discutindo com minha vizinha e amiga de infância.

Em dado momento, de forma bastante precipitada, acabei empurrando o rosto da minha "amiga" (logo explicarei o motivo das aspas). Um empurrão leve, como quem diz "sai daí". Cumpre registrar que foi um empurraozinho de nada, incapaz de machucar até mesmo uma formiga.

Eu não fazia ideia da confusão que havia arrranjado para o meu lado.

Minha vizinha, numa imprudência ainda maior, inventou para Deus e o mundo que eu havia dado um soco em seu rosto, embora todos nossos amigos tivessem presenciado a cena.

Em seguida, com uma raiva incontida, ela olhou para mim e disse com todas as letras:
- Meus amigos vão quebrar a sua cara!

Foi uma confusão.

Uns dois ou três meses depois, quando estava sentado na portaria de um dos prédios, em companhia de três amigos, percebi uma movimentação exagerada de adolescentes nos arredores.

Embora minha vizinha já tivesse jurado que seus amigos iriam me espancar, não imaginei que a promessa haveria de ser cumprida.

De repente, como num passe de mágica, uns vinte adolescentes/marginais (alguns da minha idade, outros bem mais velhos) pararam na nossa frente.

Senti um arrepio na perna esquerda. Nunca vou esquecer daquela sensação de terror. De algum modo, eu sabia que iria apanhar muito.

Enfim, um dos marginais perguntou: - Quem é o tal de "Élvis"?

Nós, rapidamente, respondemos que não havia qualquer Élvis ali conosco. Porém, todos sabiam que estavam me procurando. Quando temos um nome estranho, essas coisas vivem acontecendo... 

Outro deles, no entanto, disse para o bando enquanto apontava para mim:
- Não é Élvis, é Kelvim. É aquele ali do meio.

Na hora, lembro de ter pensado que iria morrer. Se todos aqueles imbecis resolvesse me bater, com certeza seria o meu fim.

Confesso que não lembro de ter visto rodar um filme da minha vida, como sempre acontece nos filmes, mas fiquei com bastante medo. 

- Por que você espancou a menina? - perguntou-me um deles, já com o punho fechado.

Minha tentativa de argumentar que mal havia tocado no rosto da menina foi em vão. Sem qualquer sombra de dúvida, eles haviam ido até o condomínio única e exclusivamente para me dar umas porradas.

Um dos meus amigos fez menção de tentar acalmar os ânimos, mas desistiu logo que três ou quatro deles ameaçaram-lhe.

Então, o que se sucedeu foi uma leva de socos e chutes na minha pessoa. Cinco ou seis deles, sem a menor piedade, quebraram-me a cara. Literalmente.

Meus amigos não puderam fazer nada. Se tivessem se metido na briga, teriam apanhado tanto quanto eu. Entendi perfeitamente suas posições.

O que se viu, afinal, foi uma verdadeira covardia. O empurraozinho de nada que havia dado em minha vizinha - amiga desde a infância - havia me saído bastante caro.

Tudo bem que éramos crianças, mas né...

Se não fossemos amigos, será que eu estaria vivo? Será que eu mereci apanhar daquele jeito?

Acredito que não. Contudo, acho que o episódio foi enriquecedor. Sempre aprendemos com nossos erros. Sempre.

Depois daquele dia, nunca mais conversei com minha ex-vizinha.

Não tenho raiva dela, mas pena. A forma que ela se vingou de mim foi exageradamente desproporcional e irracional.

Tenho certeza que até hoje ela deve carregar alguma culpa consigo. Ou não.

Eu, ao contrário, só ganhei com o episódio fatídico. 

Ganhei uns hematomas e uma bela história para contar!

3 comentários:

marianacruz disse...

Incrível como existe gente exagerada nesse mundo né?
Um simples empurrão, tornou-se motivo para agressão física.
Mas o bom é que concordando com o que disseste: Sempre aprendemos com nossos erros. SEMPRE!
Moral da historia: nunca ouse empurrar ninguém! rs
Ótimo post Kelvim, abraços!

Igan Hoffman (fazendo o impossível) disse...

cuidado cara, do jeito que essa vizinha parece louca, se ler o que você escreveu aqui, é capaz de mandar uns caras aí para LM para te bater novamente...kkkk
acessem http://iganhoffman.blogspot.com

Por Trás das Letras disse...

Kelvim, tô lacrimejando aqui de tanto rir.
Tipo, desculpa! Eu sei que deve ter sido sério mesmo e tals, e eu DETESTO violência, mas quando comecei a ler e vc falou da guria, pensei que fosse contar que havia apanhado dela e tals, aí teria sido uma estória legal =x
Mas foi uma puta covardia te baterem assim, e ó, fiquei chateada com teus amgos porque como diz o ditado: "Amigo que é amigo nem separa briga, chega é dando voadora!"
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abraço!
Dani Marreiros