quarta-feira, 8 de julho de 2020

A arte de acordar cedo sem necessidade

Quando era adolescente, costumava odiar aquelas pessoas que acordam cedo sem necessidade.

As que, mesmo não tendo qualquer obrigação durante o período da manhã - o que, frisa-se, é um privilégio para poucos -, levantam bem cedo para fazer algo considerado "não útil" (embora isso seja um tanto subjetivo).

Aquele casal que, no auge de um rigoroso inverno, fica tomando chimarrão na sacada às seis e pouco da manhã, saca?

Aliás, lembro certinho de ter passado por um desses casais enquanto me dirigia ao Colégio Dom Bosco, quando ainda morava em POA, em meados de 1997.

Afinal, por que esses filhos da puta não estão dormindo a essa hora da manhã? Por quê? 

Era exatamente isso, com palavrão e tudo, o que eu costumava me perguntar (risos).

Ocorre que, como não cansa de nos avisar o "filósofo" Badauí, o mundo dá voltas.

E, claro, agora eu sou uma dessas pessoas aleatórias que acordam cedo sem qualquer motivo aparente.

No começo, até tinha um motivo justo: pedalar. As longas distâncias percorridas em cima da bicicleta exigiam isso.

Não obstante, mesmo tendo abandonado esse esporte sem qualquer aviso prévio (sim, eu cometi esse crime), continuo com essa mania inerente à terceira idade.

Simplesmente não consigo acordar mais tarde.

Estou desconfiado de que os próximos passos serão decorar o nome das flores e lavar a calçada mesmo em dias de chuva (mais risos).

O fato é que, faça frio ou calor, estou de pé às sete da manhã - às vezes, até antes.

Veja bem: começo a trabalhar às 12 (doze) horas. Às 12 horas!!! Logo, não teria por que acordar tão cedo.

Claro que encontrei algumas ocupações para esse período  ocioso (vou à academia, lido com minhas cervejas artesanais, escrevo, etc).

O que me incomoda, porém, é que todos esses afazeres poderiam ficar para mais tarde. Todos.

Em outros termos, sinto-me um idiota; no mínimo, um desperdiçador de sono.

A verdade é uma só: me tornei uma das pessoas que tanto abominava. 

Não bastasse tudo isso, descobri que minha namorada é exatamente igual a mim nesse aspecto.

Igualzinha. 

Logo, transformar-se naquele desconhecido casal que tanto odiei numa gélida manhã do inverno gaúcho de 1997, de repente, não parece algo tão improvável assim.

Pelo contrário, parece apenas uma questão de tempo...

terça-feira, 30 de junho de 2020

Tudo tem seu próprio tempo


Ser solteiro é uma experiência no mínimo interessante.

Afinal, meio que na base da marra, você é obrigado a se autoconhecer. 

Descobrir quem você é de verdade no apagar das luzes.

No começo, é uma sensação um tanto estranha. Quase difícil

A intimidação inerente ao desconhecido costuma tomar uma proporção maior quando nos sentimos sós. 

Depois de um tempo nessa condição, contudo, você se acostuma a ser uma unidade

E, como tal, aprende a se priorizar. Colocar-se à frente das outras coisas, por mais egoísta que isso soe.

Ser solteiro é, antes de tudo, aprendizado. 

No mínimo, uma condição que certamente lhe deixará mais forte.

Uma espécie de treinamento para quando você enfim conhecer a pessoa pela qual você estava tanto esperando.

Afinal, a menos que fique com alguém apenas por ficar - o que, como todos sabemos, não é nada recomendável -, em algum momento da sua vida, você enfim vai conhecer alguém especial.

Aquela pessoa que parece ter sido feita sob encomenda para você.

E, quando isso acontecer, você não vai encontrar dificuldade alguma em reconhecê-la.

Nem uma barra de ouro maciço será capaz de brilhar tanto quanto ela no momento que você encontrá-la.

Saberá, de pronto, que vocês são almas afins.

"Feitos um pro outro, feitos pra durar, uma luz que não produz sombra"

Não vai ter chateação, tampouco forçação de barra.

Como deve ser, todo esforço por você envidado será naturalmente retribuído na mesma intensidade.

Reciprocidade que chama.

Nesse momento, pois, tudo irá mudar

Até a sensação de ser um só, que até então se mostrava bastante confortável, passará a ser vazia, fria.

Quando se der por conta, estará se questionando como conseguiu viver tanto tempo longe daquela pessoa que você conhece há tão pouco tempo.

E, consequentemente, terá pena dos solteiros que se veem momentaneamente privados de desfrutar de sentimentos tão sensacionais e intensos quanto a paixão e o amor.

Até lá, contudo, não se desespere.

Falo isto com propriedade: tudo, sabe-se lá por que, tem seu próprio tempo. 

Apenas desfrute a jornada.

Sua hora, cedo ou tarde, também há de chegar.


Imagem:https://comunidadeviadutos.com.br/site/mensagem/298/relogio-do-coracao


quinta-feira, 11 de junho de 2020

Paixão pandêmica - Capítulo final

O dia que sucedeu ao primeiro encontro foi incrível. Claramente empolgados com o que o futuro lhes reservava, conversaram por horas e horas.

A ousada foto postada por Pedro, claro, não passou incólume; pelo contrário, repercutiu  bastante, sobretudo entre amigos e familiares.

Enquanto uns acharam legal, outros chamaram-lhe de louco.

Apenas "pessoas sendo pessoas". Nada mais do que isso.

O que elas não sabiam, contudo, era que, apesar de um hiato, ambos vinham alimentando aquele sentimento há meses.

E, mesmo sendo algo raro, já haviam desenvolvido um carinho mútuo mesmo antes de se conhecerem

O primeiro encontro, pois, representava mais uma espécie de ato confirmatório do que qualquer outra coisa.

Pedro, em consequência, estava mais do que decidido a pedir Paula em namoro.

Não queria esperar por uma viagem, por uma paisagem incrível ou mesmo pelo momento ideal.

Não precisava de nada disso; queria apenas fazer parte de sua vida.

Assim, no sábado seguinte, levou Paula até seu pub favorito.

Estavam no melhor bar, com o melhor chope, ouvindo a melhor música e na melhor companhia.

Impossível dar errado.

Em determinado momento, então, em meio a um rock barulhento qualquer, carinhosamente, retirou os cabelos de Paula do caminho e, em seu ouvido, perguntou-lhe baixinho:

- Quer namorar comigo?

Após se certificar de que havia mesmo sido pedida em namoro, Paula respondeu com o "quero" mais charmoso da história da humanidade.

Beijaram-se como somente um casal recém formado é capaz de fazer.

Alguns poucos minutos mais tarde, ali mesmo no bar,  como se dois adolescentes fossemalteraram seus status no facebook para "em um relacionamento sério".

O sentimento, nitidamente recíproco, crescia em escala industrial.

Estavam mesmo felizes.

Já no carro, Pedro entregou-lhe uma longa carta que havia escrito dias antes.

Uma espécie de compêndio das palavras mais doces existentes na língua portuguesa.

Abraçaram-se com vontade.

Naquele exato instante, sentiam que haviam encontrado, enfim, aquilo que tanto procuravam.

Uma pessoa capaz de fazer seu olho brilhar.

E tudo isso, por mais surreal que fosse, durante uma pandemia.

Uma pandemia!

O resto é história.

Uma história recente, é verdade, mas, ainda assim, história.

Fim.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Paixão pandêmica - Capítulo 10

Assim que desceu do carro, Pedro, estrategicamente, repousou seu braço direito sobre o ombro de Paula.

Sabia que sua reação, no fim das contas, daria a tônica do restante do encontro. 

Ela, então, como quem assente, não apenas abriu um sorriso tímido como também retribuiu o gesto abraçando sua cintura.

De longe, nem parecia que tinham se conhecido há apenas uma hora.

Abraçados, então, e com a confiança lá em cima, caminharam praça a dentro.

Dirigiram-se à famosa gôndola de "New Veneza", que, tal qual um leão no zoológico, fica confinada a um espaço deveras desproporcional.

A atração turística em questão, assim como o resto do Estado, encontrava-se fechada.

Assim, deslocaram-se em direção ao charmoso coreto da praça, localizado na parte frontal desta.

Durante o caminho, porém, Pedro, propositalmente, com a finalidade específica de distrair Paula, teceu um comentário sobre as mesas de tabuleiro ali encravadas.

Em seguida, quando estavam em frente a famosa árvore que guarnece a praça, de súbito, puxou Paula pela cintura e tascou-lhe o tão esperado primeiro beijo.

Foi um beijo intenso, gostoso. Bom o bastante para que Pedro soubesse que estava encrencado.

Em seguida, sem qualquer medo de errar, olhou Paula nos olhos e disse-lhe:

- Você agora é minha! Minha!

Paula, por sua vez, abriu um sorriso para lá de lindo, confirmando ter gostado do que havia acabado de ouvir.

Aparentemente, tudo estava saindo conforme o planejado. Talvez, até melhor.

Ainda assim, Pedro não estava satisfeito

Com a pressa inerente às pessoas intensas, tinha por objetivo arrebatar aquele coraçãozinho já no primeiro encontro.

Definitivamente, não sairia dali sem ter certeza de que havia feito terra arrasada. 

Tanto que cogitou pedi-la em namoro já naquele momento, quebrando, em consequência, todos os protocolos possíveis quando o assunto é o primeiro encontro. 

Não obstante, mesmo achando que ela aceitaria - tudo apontava nesse sentido -, optou por recuar

Erros não eram bem-vindos naquele momento.

Num gesto não menos corajoso, contudo, postou uma foto de ambos com a legenda "encontrei a mulher da minha vida, enfim".

E foi exatamente o que faltava para que ela entendesse que Pedro, de fato, não estava para brincadeira.

A tática, embora manifestamente ousada, havia funcionado.

E os olhos brilhantes de Paula eram a prova cabal disso.

CONTINUA...

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Paixão pandêmica - Capítulo 9

Após banhar sua lata de forma bastante meticulosa, Paula começou a sorver o "líquido precioso amarelo" vagarosamente.

Estava bastante nervosa, contudo.

E sua linguagem corporal - estava inclinada para frente com os braços parcialmente cruzados - denunciava isso de forma bem clara.

Duas cervejas depois, porém, naturalmente, a conversa ficou mais frouxa, assim como o riso.

A sintonia entre eles, felizmente, não se limitava ao mundo virtual.

Então, num bote certeiro, Pedro pegou a mão esquerda de Paula, que, por divina providência, encontrava-se  momentaneamente desembaraçada.

Tratava-se de uma mão linda, que, obviamente, estava guarnecida por unhas pintadas à perfeição, tal como ele gostava

Uma mãozinha que, doravante, passou a definir como "sem precedentes na história da humanidade".

Nitidamente mais à vontade, Paula parecia estar gostando dos carinhos e beijos dados em sua mão. 

Um sorriso X9 irrompia de seu rosto.

Até que, na tentativa de pescar outra cerveja no cooler abarrotado de gelo, Pedro soltou sua mão.

Paula, para sua surpresa, porém, disse-lhe que poderia continuar segurando-a pelo tempo que quisesse.

Foi nesse momento, exatamente nesse momento, que Pedro soube que aquela mulher seria mesmo sua, assim como que havia chegado o momento de agir. 

Como não queria dar-lhe o primeiro beijo no carro, arriscou um movimento relativamente ousado.

Convidou Paula para dar uma volta na pracinha da cidade, que, como desconfiavam, estava mesmo deserta.

Aquele silêncio extraordinário decorrente da ausência total de pessoas era estranhamente romântico.

Afinal, quantas pessoas podem ser dar ao luxo de dizer que já tiveram uma cidade inteira só para elas?

Pedro e Paula, ainda que momentaneamente, haviam se apossado da cidade mais charmosa do Sul do Estado.

E ninguém, absolutamente ninguém, haveria de estragar aquele encontro que caminhava a passos largos para o desfecho perfeito. 

CONTINUA...

sábado, 6 de junho de 2020

Paixão pandêmica - Capítulo 8

Pedro, enfim, estava saindo de casa com o objetivo específico de encontrar Paula pela primeira vez.

O fato de terem se passado meses desde a primeira interação só aumentava a expectativa.

Ocorre que, embora gostasse muito do jeito de Paula na seara virtual, estava mesmo receoso em encontrá-la.

Sabia que, pessoalmente, as coisas poderiam ser bem diferentes.

Nada se compara a uma inspeção in loco, como gostam de dizer os operadores do direito.

De todo modo, seria uma decepção e tanto se ela não correspondesse às suas expectativas, que, a essa altura do campeonato, beiravam a estratosfera

Com uma pontualidade de dar inveja a um britânico, então, chegou na residência de Paula exatamente no horário combinado, mais precisamente, oito e meia da noite.

Paula, não menos pontual, foi ao seu encontro.

Enquanto se deslocava até o carro, Pedro pôs-se a observá-la.

E os poucos segundos que ela levou para chegar até o veículo foram o suficiente para que fizesse uma análise corporal bem detalhada.

Pedro gostou muito do que viu. 

A beleza de Paula, definitivamente, não se limitava às redes sociais.

A mulher era mesmo linda.

Além do que, era exatamente do jeitinho que ele gostava.

E - X - A - T - A - M - E - N - T - E! 

Sorrindo, então, deram um abraço claramente carinhoso. 

Bom começo, pensou Pedro.

Ato contínuo, enquanto conversavam, deslocaram-se até Nova Veneza

Lá chegando, após estacionarem o carro na praça central, de pronto, na tentativa de quebrar o gelo, deram início aos trabalhos etílicos.

Antes de sangrar a primeira lata de cerveja, contudo, Paula achou por bem abrir seu "kit pandemia" e banhá-la com álcool 70%.

Por mais que o interesse tivesse se dado no período pandêmico, por óbvio, não queria entrar para o clube dos infectados.

Foi o suficiente para rirem um bocado.

De fato, o primeiro encontro, tal como haviam imaginado, estava sendo bem peculiar.

E isso era só o começo.

CONTINUA...

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Paixão pandêmica - Capítulo 7

De pronto, iniciaram-se as negociações para o tão aguardado primeiro encontro.

Ainda que tivesse motivos para uma eventual desconfiança, Pedro estava tranquilo.

Tinha certeza que, desta vez, iriam mesmo se conhecer.

Era só questão de tempo, ao que tudo indicava.

Havia um único problema, contudo.

Claro que havia

Em razão de um decreto estadual, emitido por conta da pandemia, todos os bares e restaurantes do Estado encontravam-se fechados.

TODOS.

A única opção disponível, pois, eram os nada charmosos pátios de postos de gasolina, o que Pedro descartou rapidamente.

Não queria que o primeiro encontro com a mulher por quem estava manifestamente fascinado fosse num maldito posto. Não mesmo.

Convidou-a, então, para irem até Nova Veneza, uma cidadezinha para lá de charmosa localizada a alguns quilômetros de Criciúma, Santa Catarina. 

Propôs de levar um cooler com algumas cervejas meticulosamente geladas, a fim de que ficassem no carro conversando. E, eventualmente, dessem uma volta na Cidade que, certamente, estaria completamente vazia e, consequentemente, desprovida de Covid.

Foi um convite um tanto peculiar, é verdade, mas não havia outra maneira de conhecê-la senão através do improviso.

O mundo era testemunha de que já haviam esperado tempo demais.

Além do que, seria uma espécie de teste. Afinal, se ela aceitasse lhe conhecer no "olho do furação" de uma pandemia, era porque realmente estava interessada, sobretudo diante das inúmeras negativas anteriores. 

Tão logo recebeu o convite, Paula não só disse-lhe que queria ir ao encontro mas também que estava bastante empolgada.

Pedro, por sua vez, mesmo sem conhecê-la pessoalmente, a essa altura, já estava quase apaixonado.

Paula, além de irremediavelmente linda, era uma mulher muito interessante.  

Ainda assim, ele estava com medo.

Não de que, mais uma vez, ela furasse o encontro, mas que, ao vivo, não correspondesse à sua expectativa, que era bastante alta.

O encontro, sem dúvida, seria muito bom ou muito ruim. 

Não havia espaço para meio termo ali.


CONTINUA...

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Paixão pandêmica - Capítulo 6

De fato, após o envio daquele "meme" para lá de aleatório, as coisas mudaram radicalmente.

Nem parecia que haviam ficado quase dois meses sem trocar uma única palavra.

Além do que, com o início da "era p.M." (pós-meme), a conversa ganhou outro tom.

Não era mais aquela coisa espaçada, sem sal.

De repente, a ausência de verticalidade de outrora passava longe.

Então, quando se deram por conta, estavam conversando dia e noite, noite e dia, horas e horas a fio.

Falavam sobre todo e qualquer assunto que viesse à tona.

Não parecia haver pauta desinteressante.

Na verdade, o assunto era o que menos importava. A ideia era se aproximarem cada vez mais e mais, ainda que virtualmente.

A sintonia, portanto, era mais do que fina.

Pedro, desta vez nitidamente mais confiante, resolveu partir para o tudo ou nada.

Não aguentava mais aquela teoria toda.

Então, após descobrir o endereço de Paula, enviou-lhe a dupla simultaneamente mais infalível e clichê de todas: flores e chocolate

Além disso, mandou um cartão com os seguintes dizeres: 

"Mesmo a distância, já lhe conheço o suficiente para saber que você é especial. Aquele tipo de mulher que merece nada menos que o melhor. Quem sabe eu possa lhe proporcionar isso..." 

Foi o suficiente para Paula derreter igual manteiga na chapa.

O cartão enviado por Pedro, por mais singelo que fosse, havia destruído suas defesas mais intransponíveis. 

A essa altura, Pedro tinha certeza de que aquela mulher seria sua.

E que o tão aguardado primeiro encontro, enfim, estava prestes a sair do plano teórico.

CONTINUA...

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Paixão pandêmica - Capítulo 5

Pedro estava cumprindo à risca a promessa que havia feito a si mesmo.

Nem mesmo aqueles olhos de cigana oblíqua e dissimulada o demoveriam da ideia de esquecê-la.

Não queria absolutamente mais nada com Paula.

Nada vezes nada.

Quase dois meses depois, no entanto, um fato novo e bastante peculiar mudou tudo.

De inopino, um vírus para lá de mortal, surgido em uma província chinesa qualquer, deu início a uma pandemia global que rapidamente alcançou o Brasil.

Tal fato, naturalmente, modificou a rotina de todos, que, mesmo contra a vontade, passaram a se isolar em suas casas.

A ideia, segundo especialistas, era achatar a curva de contágio da doença.

Até que, numa terça chuvosa, Pedro recebeu um "meme" bem engraçado e diretamente relacionado à pandemia que assolava o mundo naquele momento. 

Algo do tipo "só vou sair com você no dia em que tiver uma pandemia".

Inevitavelmente, acabou lembrando de Paula e de toda aquela enrolação que o fez desistir. Então, quase que automaticamente, encaminhou-lhe o "meme" e uma mensagem.

Por mais inverossímil que soe, foi o ato mais despretensioso por ele já realizado.

Zero pretensão.

O fez apenas porque julgou relativamente engraçado, dadas as circunstâncias.

Mal sabia ele, contudo, que aquele simples gesto faria tudo mudar.

Tudo. 

CONTINUA...

terça-feira, 2 de junho de 2020

Paixão pandêmica - Capítulo 4

Com a reaproximação, voltaram a conversar com frequência.

Absolutamente tudo indicava que Paula, ao menos desta vez, estava mesmo com vontade de conhecê-lo.

Como ela havia ido para a praia, extraordinariamente, marcaram de se encontrar apenas no domingo à noite, por volta das 20 horas.

Tal fato, de certa forma, tranquilizou Pedro. Afinal, ninguém marca um encontro para um domingo à noite se não estiver muito interessado, certo?

Pelo menos, era nisso que ele acreditava.

De todo modo, não se sentia mais enrolado como outrora.

Estava, isto sim, bastante confiante.

Até que no domingo, por volta das 15 horas, ao perguntar a Paula se estava tudo certo, foi surpreendido com um "acho que hoje não vai dar mais..."

Pedro, claro, ficou chateado.

Quem, em sã consciência, desmarca um encontro quatro ou cinco horas antes da hora marcada?

Tudo o que Pedro fez foi limitar-se a ficar quieto. Sem dúvida, não adiantaria de nada reclamar.

Após duas semanas, porém, Paula puxou assunto com Pedro, que, por algum motivo que desconhece até hoje, voltou a dar-lhe atenção.

Prometeu a si mesmo, então, que iria lhe fazer um derradeiro convite.

Sim, o último.

Se ela dissesse não, independentemente da desculpa, seria o fim.

Convidou-lhe para sair numa sexta, no melhor bar, na melhor cidade.

Não tinha erro.

Não obstante, Paula alegou mais uma vez que dia de semana seria difícil.

Abre aspas: - Dia de semana é complicado pra mim. Fico muito cansada...

Foi nesse momento que a paciência de Pedro acabou.

Ainda com o celular na mão, e em voz alta, jurou para si mesmo:

- Nunca mais falo com essa mulher. Nunca mais!

CONTINUA...

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Paixão pandêmica - Capítulo 3

Com o passar dos dias, consequentemente, a conversa passou a ficar mais substancial. 

Mais vertical, por assim dizer.

Naturalmente, então, Pedro quis conhecê-la. 

Um movimento natural, certo?

Paula, contudo, parecia não concordar muito com essa lógica.

Tanto que refutou o primeiro convite de Pedro sob o argumento de que estava indo para a praia nos finais de semana.

Quanto a um eventual encontro durante a semana, por sua vez, alegou cansaço.

Cansaço!?

A julgar pelas conversas, Paula até parecia interessada. Porém, não o bastante para encontrá-lo, o que se revelou bem frustrante.

Em outros termos, estava fazendo jogo duro (mesmo jurando não gostar disso).

Alguns dias se passaram sem qualquer tipo de contato entre ambos.

Pedro começou a achar, então, que não havia nada para ele ali.

Via de consequência, aos poucos, aquele grande interesse inicial foi arrefecendo.  

O que sequer havia começado parecia caminhar a passos largos para o fim.

Até que uma mensagem de Paula alterou o panorama. Em suma, disse que ainda pretendia conhecê-lo e que isso só dependia da oportunidade certa.

Embora um pouco desconfiado, Pedro achou prudente dar-lhe mais uma chance. Apesar de tudo, ainda nutria interesse por ela.

Assim, após uma "nano DR", marcaram de se ver no fim de semana seguinte.

Ao que tudo indicava, o encontro tão aguardado por Pedro finalmente estava prestes a sair do papel.

Será?

CONTINUA...