quinta-feira, 7 de março de 2019

Muito mais do que apenas palavras


Já me disseram, mais de uma vez, que exprimo bem meus sentimentos quando escrevo.

Não sei dizer ao certo se é mesmo verdade. De qualquer forma, confesso que gostei de ouvir isso. Bastante, eu diria.

É que nem sempre é fácil externalizar o que se sente, sobretudo sem expor pessoas ou situações; pelo contrário.

Imagino que o fato de imprimir sinceridade no ato de escrever, para o bem ou para o mal, faça toda a diferença. 

Diferentemente de quem o faz movido por algum tipo de interesse oculto (como agradar uma garota, por exemplo).

Não que isso seja errado. Não mesmo. Mas é como se o fato de premeditar o resultado e a verdade andassem em direções opostas, se é que isso faz algum sentido.

Querendo ou não, o interlocutor consegue identificar quando se está sendo realmente verdadeiro (será mesmo?)

Pelo menos é o que eu acho, o que me parece.

Talvez por isso meus textos favoritos são sempre aqueles com uma carga mais visceral, mais real.

Aqueles que vêm lá do âmago. 

Visivelmente, são os que mais fazem sucesso entre os leitores, seja por empatia, seja por mera curiosidade mesmo.

Na dúvida, então, continuarei nessa pegada. Até porque, antes de agradar os outros, tenho que agradar a mim mesmo.

O resto é consequência.

segunda-feira, 4 de março de 2019

Expectativa

Criar expectativa sobre algo/alguém costuma ser uma droga.

Eu sei disso, você sabe disso, todos nós sabemos disso.

Afinal, quando a intenção/plano não se concretiza, o que fica é decepção. Um desapontamento proporcional ao que se esperava, senão maior.

Por que, então, criamos tantas expectativas?

Obviamente, não sei a resposta. Ninguém sabe, imagino eu.

Mas se fosse para dar um palpite, diria que é porque é boa demais essa fase "pré-concretização" (ou "pré-decepção", dependendo do resultado).

Essa fase por de mais interessante que gira em torno do mundo ideal, em que apenas o céu é o limite

Até porque, nela, por ainda se tratar do campo hipotético, tudo pode acontecer. Tudo.

Sonhar, ter esperança, é da natureza humana. É o que move o homem atrás de coisas melhores. 

[Estou filosófico hoje, não?]

E se a contrapartida para viver essa fase é "cair do cavalo" vez ou outra, eu aceito.

Sim, eu aceito.

Mesmo porque, é um preço pequeno a se pagar pelos benefícios de uma expectativa bem criada.

É como ensina a letra daquele famoso samba: "sonhar não custa nada".

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Reciprocidade

Todos os dias quando acordo, acontece a mesma coisa. Sempre.

Dirijo-me à cozinha e dou de cara com a minha catiora que, invariavelmente, está com aquela carinha do "gato de botas".

Aquela carinha de quem diz"tu não vai passear comigo seu filho da puta?" 

[Perdoem-me pelo palavrão, mas tentei ser o mais realista possível]

Prontamente, então, olho para ela e digo em voz alta (sim, eu falo com a minha cachorra): "Calma, lindinha, já vou passear contigo".

Digo isso e penso: Antes, contudo, vou tomar um café descansado. Eu mereço.

Mas a minha catiora sempre fica lá, junto à porta, me olhando com aquela carinha triste. Aquele semblante de cachorro abandonado.

Na clara tentativa de me chantagear, ela chega a virar a cabeça de lado. Juro.

E isso sempre faz com que eu sucumba ao desejo impulsivo do bichano. Em resumo, deixo o café de lado e lá vou eu passear com a catiora, com ou sem fome.

Há quem considere isso um ato de amor. Pode até ser.

Mas sempre penso que isso é uma prova cabal de que não estou pronto para ser pai. É que, se fizer isso com uma criança - realizar todos os seus desejos -, é certo que virará uma usuária de crack com 12 anos (risos).

Brincadeiras à parte, a verdade é que não resisto ao chorinho da minha catiora.

Então, nada me resta senão passear com ela pelos arredores do meu prédio logo cedo, o que é bem engraçado.

Afinal, não é muito comum um cara barbudo passear com uma cachorra peludinha e cheio de laços, sobretudo envolta por uma coleira rosa.

Tenho certeza que isso chama um pouco a atenção das pessoas.

Mas questão é que a cachorra me faz bem demais. DEMAIS.

E se passear logo cedo com ela, mesmo antes do café, é uma forma de retribuir todo esse bem, por que não o fazer?

No fim das contas, deveríamos reger nossas vidas assim: através da reciprocidade.

Simples assim.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

No olho do furacão

Acordei meio estranho hojeMeio inquieto, na verdade.

Tomado por mil pensamentos desmedidos por minuto.

E confesso que as doses industriais de café não estão ajudando em nada na vã tentativa de aplacar essa sensação tão peculiar.

Tampouco esse vento relativamente frio que lembra o outono e suas doces memórias.

[Já falei que o outono costuma me deixar mais reflexivo?]

Concentração = zero.

Sabe quando você sente que, para o bem ou para o mal, algo grande está por acontecer?

Quando bate aquele frio repentino na barriga?

Então...

É exatamente essa a sensação que me toma de assalto neste momento.

Como se estivesse no mar, cravado com os pés no chão, sentindo o repuxo de um tsunami que se forma no horizonte. 

É como ter certeza que de nada adianta correr, pois a onda virá com força fazendo terra arrasada.

Faz algum sentido isso? 

[Se não faz nem para mim, imagine para vocês]

Talvez seja apenas esse ventinho típico de outono mesmo ou, ainda, as doses exageradas de café... Uma noite mal dormida, quem sabe.

Honestamente, não sei dizer ao certo.

De qualquer forma, a sensação continua lá. Aqui, para ser mais exato.

In pectore expuli.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Brasil: uma pátria de mal educados

Estava em um bar ontem onde estava rolando um som ao vivo.


Lá pelas tantas, o cantor sugeriu que pedissem algumas  músicas. 

Aquela coisa de sempre...

Um argentino, que estava sentado próximo ao palco, pediu alguma música em espanhol, cujo cantor negou sob o argumento de que desconhecia.

Tudo normal até então.

Em seguida, disse o cantor: "peça algo em português".

O Argentino, então, encheu o peito, e pediu: "toca uma do Paulinho Moska".

Quase que em sintonia, todos no bar começaram a rir, especialmente quando o cantor bradou aos risos: "não conheço Paulinho MOKA".

Não bastasse isso, ficou a noite inteira zoando o Argentino. Dizia: "na próxima vez que vier aqui, vou tocar uma música do Paulinho MOKA"

Tudo, claro, sob o espanto do Argentino, que cansou de levantar suas mãos ao céu sob protesto, como quem dizia: "mas o Paulinho Moska é brasileiro...".

De fato, Paulinho Moska não é muito famoso, especialmente aqui no sul.

Eu mesmo não recordo do nome de alguma música dele. E olha que gosto bastante de música.

Mas a questão nem é essa.

A questão é que o brasileiro, além de ignorante, é mal educado.

Tenho certeza que o Argentino voltou com uma má impressão de nosso país. Ou, talvez, com a impressão certa mesmo.

No fim das contas, não passamos de uma pátria de pessoas mal educadas.

Nem mais, nem menos.