terça-feira, 17 de setembro de 2019

Tudo ou nada - Capítulo 3

Pedro teve seus devaneios abruptamente interrompidos por um dos diligentes garçons da casa.

Disse-lhes o garçom, com um sorriso manifestamente comercial, que enfim havia uma mesa disponível, o que, naquelas circunstâncias, não era tão legal assim.

Afinal, estavam em uma posição deveras estratégica naquele balcão, com suas bocas a meio metro vírgula dois chopes de distância.

Um beijo capaz de corar uma debutante era só questão de minutos naquela posição.

Por costume, talvez, acabaram aceitando uma das mesas que lhe foram propostas.

Então, um tanto a contragosto, sentaram-se um de frente para o outro, no melhor estilo "casal sem sal"

É que, agora, havia uma mesa fria e distante entre eles.

Porém, isso não seria um empecilho. 

Eles sabiam disso, o garçom sabia disso, os novos vizinhos de mesa sabiam disso, a moça que estava no caixa sabia disso, até o flanelinha imaginário sabia disso.

Estava escrachado o interesse de ambos.

Pedro olhava a dona do nome composto com uma vontade sem precedentes.

Alguma coisa lá no seu âmago dizia-lhe que, finalmente, havia encontrado a mulher que tanto procurava.

E ela parecia estar ciente. Mais do que isso, parecia compartilhar do mesmo sentimento, ainda que extremamente recente.

Logo, deram-se as mãos com uma naturalidade que já se mostrava estranhamente inerente ao casal recém formado.

Foi um movimento bem carinhoso, como só um entrelace de mãos pode ser.

Após alguns poucos minutos, então, sem muita cerimôniaali mesmo na presença de todos, inclinaram-se sobre a mesa e beijaram-se.

Foi um beijo lento, gostoso. Um beijo do tipo "caralhoquecoisamaisboavemaquiquequeromais".

Como não poderia ser diferente, foram interrompidos pelo garçom, que, com cara de quem já está acostumado a estorvar beijos alheios, anunciou a chegada de mais uma rodada de chopes.

Riram, beijaram-se de novo, comeram torresmo (sim, comeram torresmo), riram de novo, beijaram-se mais uma vez.

E assim se sucedeu até fecharem o bar, literalmente.

O incrível primeiro encontro, que sempre será único na memória de ambos, havia enfim acabado.

A vontade de se ver novamente, não.

Longe disso.

CONTINUA... 

sábado, 14 de setembro de 2019

Tudo ou nada - Capítulo 2

Pedro foi o primeiro a chegar no bar

Sem muita enrolação, sentou-se junto ao balcão e pediu o chope mais cremoso da casa.

O momento exigia isso.  

O primeiro gole veio acompanhado de um "ahhhhhh" quase inaudível que ele fez questão de soltar enquanto olhava com relativo orgulho para o copo. 

Nada como um bom chope para apaziguar a alma, pensou.

Passado o rápido momento de euforia etílica que somente o primeiro gole é capaz de proporcionar, voltou a pensar no motivo que o levara até ali.

Olhava o relógio com a mesma frequência de quem o faz em relação a uma leiteira fervente, ainda que isso soe um tanto démodé.

De qualquer forma, estava bastante ansioso

Tudo o que queria era conhecer aquela mulher aparentemente tão incrível.

Ele não queria aquilo, ele precisava daquilo.

Então, num rompante no melhor estilo hollywood, a moça do nome composto adentrou o bar.

Ela era alta, definitivamente. E seu belo e longilíneo corpo só fazia aumentar essa percepção. 

Uma piada sobre o monte Everest tomou-lhe de assalto, mas achou melhor conter-se.

Ela não podia descobrir que ele era doido. Não naquele dia.

E só uma coisa era maior que sua altura: a beleza que irradiava por todos os seus poros.

Sem dúvida, uma mulher manifestamente encantadora.

Sim, ela era mesmo linda, tal como havia imaginado. Não se tratava de mais um truque de instagram, felizmente. 

Seu nome composto, normalmente atribuído a mulheres bonitas, fazia-lhe justiça.

Nesse ínterim de inúmeras e unilaterais constatações, cumprimentaram-se com um breve abraço e um beijo no rosto, como de praxe e, após, sentaram-se um de frente para o outro. 

Joelho encostando em joelho, o que só fez o interesse aumentar vertiginosamente.

Nem o preço do dólar seria capaz de disparar tão rápido.

Já de pegada, questionou Pedro sobre a cor dos seus olhos enquanto os olhava, o que o desconcertou.

Quem, afinal, resiste a uma mulher linda que presta atenção em seus olhos?

Como diria a coruja, who?

E como se já se conhecessem há anos, começaram a conversar com desenvoltura.

Um estranho jamais imaginaria que não se conheciam há poucos minutos.

Sentiam-se estranhamente à vontade um com o outro.

O plano inicial havia sido rasgado. Algo melhor parecia apontar no horizonte.

Pedro estava sorrindo por dentro.

Agora, não era mais tudo ou nada. 

Não... 

Agora, era tudo ou tudo.

CONTINUA...


quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Tudo ou nada - Capítulo 1

Pedro tinha um baita problema para resolver.

Um problema com nome composto e impecáveis 174 cm de altura, para ser mais específico.

Ao que tudo indicava, um mulherão da porra. Do tipo que deixa as demais mortais no chinelo, de tão incrível.

E, claro, dona de uma beleza sem igual. Pasmem, por dentro e por fora.

Ocorre que nem mesmo um "meme" seria capaz de ilustrar com maestria a situação, de tão heterodoxa que se apresentava.

Definitivamente, nunca havia passado por algo parecido.

É que, por mais incrível que pareça, ainda não conhecia - ao menos não pessoalmentea mulher que, de súbito, passou a tirar-lhe o sono.

Sim, é isso mesmo que você leu: estava inegavelmente interessado em uma mulher que sequer conhecia, para sua própria surpresa.

Porém, por mais que gostasse de pensar que tal fato não passasse de um mero "detalhe técnico", sabia que as coisas eram um pouco mais complicadas do que isso.

Afinal, como não podia ser diferente, eram muitas as variáveis.

Será que, pessoalmente, ela seria mesmo tudo isso? 

E por que cargas d'água a vida lhe presentearia assim, de inopino, com uma mulher aparentemente tão espetacular?

Por quê????

Inevitavelmente, muitas dúvidas ressoavam em sua cabeça.

Contudo, mesmo com medo de cair do cavalo, não fazia o tipo que se contenta com pouco

Tratava-se de uma pessoa seletiva. Uma pessoa que buscava apenas o melhor.

A melhor cerveja; a melhor música; a melhor companhia (não necessariamente nesta ordem).

Não porque isso fosse possível, mas porque entendia que fazia por merecer.

Pelo menos, era o que ele gostava de pensar.

Dito isso, precisava resolver o "problema" o quanto antes.

Queria descobrir se a vida não estava apenas lhe pregando mais uma peça, para variar.

Assim, marcaram o tão aguardado encontro

Agora, era tudo ou nada.

CONTINUA...

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Sinceridade à flor da pele

Nesta última segunda, fiquei positivamente surpreso quando abri meu instagram.

Mais precisamente quando terminei de ler um texto que uma amiga havia recém postado.

O texto em questão fala sobre depressão e suas agruras, dentre outras coisas.

E, embora escrever sobre o assunto já seja surpreendente o bastante, considero-o assim por um outro motivo, por ter sido muito, mas muito verdadeiro.

De uma sinceridade desconcertante, eu diria. 

É que, convenhamos, é muito difícil ver alguém expor suas "fraquezas" dessa forma.

Achei muito corajoso, para dizer o mínimo.

Ainda mais em tempos de redes sociais, em que todos estão ocupados demais jogando sua felicidade na cara da sociedade.

Sim, nós fazemos isso (o tempo todo).

Lembro de, logo após ler o texto, ficar pensando que qualquer pessoa com um mínimo de empatia deve ter se colocado no lugar dela e pensado "que mulher foda".

Pelo menos, foi o que eu pensei.

Superar adversidades, por natureza, já costuma ser algo muito difícil. Agora, superar uma doença que vem das profundezas do seu eu deve ser algo ainda pior.

Sobretudo com um bando de desinformados que, na ânsia de tentar ajudar, acabam atrapalhando ainda mais.

Aliás, espero que eu não esteja fazendo isso neste exato momento, o que não é nada improvável (risos).

Sei que a depressão é algo sazonal, de modo que nada resta a ela senão controlá-la, como, aparentemente, tem feito bem. 

Por conta disso, acredito que o medo de sofrer desse mal novamente deve ser algo muito presente, infelizmente.

Tentei me colocar no lugar e fiquei imaginando como seria conviver com um receio dessa magnitude.

Deve ser assustador. 

Contudo, penso que uma pessoa capaz de escrever um texto assim tão visceral é capaz de qualquer outra coisa.

Qualquer outra coisa! 

Afinal, pessoas intensas costumam ser muito fortes também

Parece-me ser o caso, felizmente.

De qualquer forma, fico na torcida. 

terça-feira, 6 de agosto de 2019

O brilho no olhar

Pedro estava apaixonado.

Mais do que isso, estava inebriado, embasbacado, atordoado.

Não havia sufixo "ado" capaz de dar conta de sua atual e precária condição.

Em bom português: Pedro estava "fudido".

E como não poderia ser diferente, ele tinha plena consciência disso.

Eram inúmeros os sinais. Dentre eles, o que mais lhe chamava a atenção, era o fato de estar aéreo, distante.

Não prestava atenção em nada. Absolutamente nada.

Tudo o que fazia - e o que queria fazer - era ficar pensando em Alice, "a dama da sua desgraça".

Ocorre que aquilo começou a consumir-lhe por dentro. 

Afinal, por mais interessante que fosse aquele sentimento, era também corrosivo e angustiante como somente uma paixão pode ser.

Pedro, porém, estava começando a dar sinais de cansaço. Sem dúvidas, estava sucumbindo à enxurrada de hormônios produzida por seu corpo.

E isso o motivou a tomar uma decisão: iria contar tudo a Alice.

Não o tinha feito antes, por óbvio, por medo de ser rejeitado.

Até porque, se uma paixão dói, o que dizer de uma "paixão não correspondida"?

Sem muitas voltas, então, revelou tudo a Alice. 

Contou das noites mal dormidas, do tempo que havia perdido pensando nela, das horas e horas gastas olhando para o horizonte, do fato de estar extremamente aéreo, de se sentir extremamente atordoado, dos calafrios, palpitações, etc.

Contou tudo, tudinho

E, como num conto de fadas, Alice se apaixonou de volta no ato.

Sim, ela se apaixonou exatamente naquele instante.

Não foram as palavras de Pedro as responsáveis por isso, tampouco as "hipérboles desmedidas".

Foi o brilho no olhar.

Não havia mulher neste mundo capaz de sair ilesa daquele brilho deliberado e fulminante que Pedro trazia consigo nos olhos.

Não mesmo.

Pedro a olhava com vontade.

Agora, eram dois os apaixonados. Duas pessoas a sofrerem os doces males desse arrebatamento resumido precariamente pela palavra "paixão".

Apaixonar-se pode ser algo cruel, mas nem sempre.

Nem sempre...

domingo, 4 de agosto de 2019

Pura combustão

Ela não é "fogo que arde sem se ver"
É explosão
Pura combustão

Não sapeca
Tampouco queima
Faz terra arrasada

Amassa
Devassa
Estralhaça

Ela é incrível
É puro malte
E fica linda de esmalte

Mas também é doce
Agridoce
Prevejo um "oxeeee"

Em resumo:
Paradoxo
Uma rara fruta sem agrotóxico

Cheira a felicidade

Me inspira
Me fascina
Me acalenta

E, de um jeito todo especial
Me atormenta
Arrebenta

Ela é poesia
Fascinação
De quem eu quero mais e mais aproximação

E me faz rimar como um bobo
Um tolo
Ela passa por cima de mim como um rolo

Como eu disse, ela é explosão
Pura combustão
O fim da razão

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Adaptação

Assim que terminei meu último relacionamento (que, "tecnicamente", foi o único), tive que lidar com a ideia de morar sozinho.

Quando me dei conta, não havia mais ninguém em casa além de mim e minhas inúmeras incertezas.

Algo relativamente bem assustador, a princípio.

Chegar em casa e não ter com quem conversar - a Josefina não fala, infelizmente - é algo bem angustiante, sobretudo quando se é um principiante nesse assunto.

Não fosse a televisão e o som irritante que insistentemente teima em sair dela, seria possível cortar com uma faca o silêncio que paira (pairava) no ar.

Invariavelmente, então, você acaba se sentindo só, o que pode levar-lhe a tomar decisões precipitadas.

Essa "solidão passageira", a propósito, deve ser o principal motivo pelo qual as pessoas insistem em retomar um relacionamento cujo ciclo chegou ao fim.

À medida que o tempo foi passando, contudo, fui me acostumando com a sensação de morar sozinho.

E algo que certamente me ajudou nesse processo foi uma mudança involuntária no meu comportamento. 

De repente, me peguei interagindo com as outras pessoas com uma frequência muito maior.

Só então me dei conta de que interagir passou a ser uma necessidade, e não mais um mero passatempo.

A verdade é que acabei me adaptando à situação. 

Adaptar-se, aliás, talvez seja uma das melhores qualidades do ser humano. Afinal, com um pouco de boa vontade, nos amoldamos a quase tudo.

Hoje, posso dizer que gosto de morar sozinho. No mínimo, sinto-me à vontade com essa condição.

É aquela velha máxima: nada como um dia após o outro.

Claro que sinto falta de ter alguém com quem partilhar as coisas (das mais importantes, como uma grande conquista pessoal, às mais triviais, como fazer o café).

Até porque, acredito que seja da nossa natureza querer fazer isso com quem julgamos especial.

Mas se tem uma coisa que apreendi nestes últimos anos (nos últimos meses, em especial), é que tudo tem seu tempo.

Tudo, absolutamente tudo, tem a hora certa.

Enquanto isso, sigo só.

Por mais incrível que pareça, sinto-me bem com a minha própria companhia (risos).

Menos mal...

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Avançando casas

Mais para o bem do que para o mal, meu aniversário se aproxima a passos largos.

E, junto dele, as reflexões inerentes a essas datas.

Altíssima taxa de RPM (reflexões por minuto, no caso).

Inevitável, ao menos para mim. 

Sinto como se estivesse numa espécie de reveillon extemporâneo, adentrando um "ano novo" no meio de um ano já considerado velho.

Quase - eu disse quaseuma transgressão.

De qualquer forma, uma virada de chave. Recomeço (será?).

Como disse (ou só pensei mesmo), fico reflexivo nessas datas. Então, deem um desconto a um exagero ou outro.

"Não sermos literais às vezes faz nossa beleza" (H.G.).

No mínimo, faz parte do ofício (no caso, do hobby).

--------------- pausa para uma generosa taça de vinho tinto ------------------

É estranho falar isto em voz alta, mas estou na iminência de completar 37 anos de vida.

Ou 37 invernos, como preferem os poetas de talento questionável. 

E, por mais paradoxal que isto soe, a verdade é que fazia tempo que não me sentia tão jovem.

Inexplicavelmente, nem mesmo um banho de água gelada numa manhã fria de inverno faria com que me sentisse tão vivo.

Tão, tão...

Difícil explicar sem ser sincero "como não se pode ser".

De qualquer forma, ando me sentindo empolgado. Inspirado.

E gosto muito dessa sensação.  

Até demais, eu diria.

M - E - D - O!

Oremos.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Escolhas

A vida, como todos sabemos, é feita de escolhas. Fato.

Ocorre que o ato de escolher nem sempre é algo fácil.

Longe disso. 

Afinal, ao optar por determinada coisa, automaticamente, você está abrindo mão de diversas outras.

Às vezes, de coisas ruins. Às vezes, não.

Algo que, infelizmente (ou felizmente mesmo), nunca saberemos.

Mas, se pensarmos bem, talvez seja justamente essa a graça da brincadeira, aquilo que deixa tudo mais interessante. 

Mesmo porque, se pudéssemos antever o resultado de determinado ato - uma espécie de spoiler do nosso futuro -, nossa vida seria um tédio sem fim. 

É que, querendo ou não, o desconhecido é tão assustador quanto atrativo.

Especialmente se levarmos em consideração que mudar é preciso. Salutar.

Não vou negar que seria interessante se pudéssemos dar uma espiada vez ou outra num eventual universo paralelo

No famoso: "E se"

Aposto que isso faria mais sucesso que a netflix (a propósito, fica a dica para uma série, se é que alguém já não pensou nisso).

Ainda assim, continuo achando que a velha e boa escolha cega, baseada sobretudo na intuição, é o melhor caminho.

É o que confere charme ao mister

E, por que não, o que nos faz pensar bem antes de praticar determinados atos, embora isso nem sempre dê certo.

Devaneios à parte, "escolhi escolher".

Então, se for para errar, que seja por escolher de mais. 

Jamais, JAMAIS MESMO, por escolher de menos

terça-feira, 2 de julho de 2019

O Beijo de Maria

imagem: domtotal.com
Raul acordou com uma sensação estranha naquela terça de inverno ortodoxamente gelada.

Não era a fome incomum tampouco o ruído infernal que invadia a janela de seu apartamento os responsáveis por isso.

Não!

Tratava-se de algo muito mais complexo e instigante: uma mulher.

Uma mulher, não. A mulher! 

Maria era o nome dela. Ou "Santa Maria", como ele gostava de chamá-la em seus pensamentos (nos impuros, inclusive).

Eufemisticamente falando, tratava-se da mulher mais charmosa num raio de mil galáxias.

Maria, definitivamente, era um absurdo de tão atraente. Um disparate.

Nem mesmo um Machado de Assis seria capaz de descrever uma beleza tão intimidadora. 

E Raul sabia que precisaria tomar uma atitude cedo ou tarde. No mínimo, deixar o campo hipotético e arriscar sua sorte.

Mesmo porque, não tinha mais condições de viver naquela angústia.

Então, numa quinta-feira à noite, munido de uma coragem para lá de passageira, atribuída à sua sinceridade etílica, resolveu arriscar.

Como se fazia num passado nem tão distante assim, ligou para Maria (sim, ligou) e a convidou para tomar um chope, com o que ela prontamente concordou, para seu delicioso espanto.

O único problema é que Raul não estava preparado para o aceite; como bom sonhador que era, havia idealizado somente até o momento do convite.

E isso o deixou nervoso. Intimidado.

Assim que saíram, contudo, o nervosismo foi dando lugar a uma sensação agradável.

O fato de estar na companhia do exemplar mais belo da espécie humana, estranhamente, fez com que se sentisse seguro, dono de si.

E foi somente quando se beijaram que Raul soube que, de alguma fora, havia nascido para aquilo.

Sua missão na terra era beijar a mais especial das mulheres.

Por um instante, sentiu pena dos demais mortais. Não muito, é verdade, mas sentiu.

E sorriu como somente um homem que beija uma Maria seria capaz de sorrir.

Havia chegado, enfim, a sua vez de sorrir.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Intuição

Intuição, sexto sentido, pressentimento, sinais, chame como quiser.

O fato é que, de uns tempos para cá, resolvi prestar um pouco mais de atenção a esses "sinais" que a vida nos dá.

Comecei com coisas pequenas, por óbvio. Coisas como "não vá a determinado lugar", "não compre certa coisa", dentre outras.

Aos poucos, então, passei a observar esses sinais em relação a coisas mais importantes na minha vida.

Coisas bem relevantes, eu diria.

E não é que está dando certo?

Tanto que, nas últimas duas vezes que ignorei essa voz interior, acabei me arrependendo.

Não foi nada de tão relevante assim, é verdade, mas o suficiente para me lembrar o quão a intuição é importante e não deve ser ignorada. 

Jamais.

Mesmo tendo realizado essa mudança de comportamento de forma gradual, ainda hoje fico pasmo como esse negócio funciona.

É ignorar o pressentimento e se arrepender - não tem erro.

Às vezes, dá até um "medinho" dessa percepção toda. 

Bizarro, jovens. Bizarro.  

Nada me resta, pois, senão ouvir cada vez mais essa "voz interior".

Definitivamente, tem dado certo. Muito certo.