quarta-feira, 17 de julho de 2019

Avançando casas

Mais para o bem do que para o mal, meu aniversário se aproxima a passos largos.

E, junto dele, as reflexões inerentes a essas datas.

Altíssima taxa de RPM (reflexões por minuto, no caso).

Inevitável, ao menos para mim. 

Sinto como se estivesse numa espécie de reveillon extemporâneo, adentrando um "ano novo" no meio de um ano já considerado velho.

Quase - eu disse quaseuma transgressão.

De qualquer forma, uma virada de chave. Recomeço (será?).

Como disse (ou só pensei mesmo), fico reflexivo nessas datas. Então, deem um desconto a um exagero ou outro.

"Não sermos literais às vezes faz nossa beleza" (H.G.).

No mínimo, faz parte do ofício (no caso, do hobby).

--------------- pausa para uma generosa taça de vinho tinto ------------------

É estranho falar isto em voz alta, mas estou na iminência de completar 37 anos de vida.

Ou 37 invernos, como preferem os poetas de talento questionável. 

E, por mais paradoxal que isto soe, a verdade é que fazia tempo que não me sentia tão jovem.

Inexplicavelmente, nem mesmo um banho de água gelada numa manhã fria de inverno faria com que me sentisse tão vivo.

Tão, tão...

Difícil explicar sem ser sincero "como não se pode ser".

De qualquer forma, ando me sentindo empolgado. Inspirado.

E gosto muito dessa sensação.  

Até demais, eu diria.

M - E - D - O!

Oremos.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Escolhas

A vida, como todos sabemos, é feita de escolhas. Fato.

Ocorre que o ato de escolher nem sempre é algo fácil.

Longe disso. 

Afinal, ao optar por determinada coisa, automaticamente, você está abrindo mão de diversas outras.

Às vezes, de coisas ruins. Às vezes, não.

Algo que, infelizmente (ou felizmente mesmo), nunca saberemos.

Mas, se pensarmos bem, talvez seja justamente essa a graça da brincadeira, aquilo que deixa tudo mais interessante. 

Mesmo porque, se pudéssemos antever o resultado de determinado ato - uma espécie de spoiler do nosso futuro -, nossa vida seria um tédio sem fim. 

É que, querendo ou não, o desconhecido é tão assustador quanto atrativo.

Especialmente se levarmos em consideração que mudar é preciso. Salutar.

Não vou negar que seria interessante se pudéssemos dar uma espiada vez ou outra num eventual universo paralelo

No famoso: "E se"

Aposto que isso faria mais sucesso que a netflix (a propósito, fica a dica para uma série, se é que alguém já não pensou nisso).

Ainda assim, continuo achando que a velha e boa escolha cega, baseada sobretudo na intuição, é o melhor caminho.

É o que confere charme ao mister

E, por que não, o que nos faz pensar bem antes de praticar determinados atos, embora isso nem sempre dê certo.

Devaneios à parte, "escolhi escolher".

Então, se for para errar, que seja por escolher de mais. 

Jamais, JAMAIS MESMO, por escolher de menos

terça-feira, 2 de julho de 2019

O Beijo de Maria

imagem: domtotal.com
Raul acordou com uma sensação estranha naquela terça de inverno ortodoxamente gelada.

Não era a fome incomum tampouco o ruído infernal que invadia a janela de seu apartamento os responsáveis por isso.

Não!

Tratava-se de algo muito mais complexo e instigante: uma mulher.

Uma mulher, não. A mulher! 

Maria era o nome dela. Ou "Santa Maria", como ele gostava de chamá-la em seus pensamentos (nos impuros, inclusive).

Eufemisticamente falando, tratava-se da mulher mais charmosa num raio de mil galáxias.

Maria, definitivamente, era um absurdo de tão atraente. Um disparate.

Nem mesmo um Machado de Assis seria capaz de descrever uma beleza tão intimidadora. 

E Raul sabia que precisaria tomar uma atitude cedo ou tarde. No mínimo, deixar o campo hipotético e arriscar sua sorte.

Mesmo porque, não tinha mais condições de viver naquela angústia.

Então, numa quinta-feira à noite, munido de uma coragem para lá de passageira, atribuída à sua sinceridade etílica, resolveu arriscar.

Como se fazia num passado nem tão distante assim, ligou para Maria (sim, ligou) e a convidou para tomar um chope, com o que ela prontamente concordou, para seu delicioso espanto.

O único problema é que Raul não estava preparado para o aceite; como bom sonhador que era, havia idealizado somente até o momento do convite.

E isso o deixou nervoso. Intimidado.

Assim que saíram, contudo, o nervosismo foi dando lugar a uma sensação agradável.

O fato de estar na companhia do exemplar mais belo da espécie humana, estranhamente, fez com que se sentisse seguro, dono de si.

E foi somente quando se beijaram que Raul soube que, de alguma fora, havia nascido para aquilo.

Sua missão na terra era beijar a mais especial das mulheres.

Por um instante, sentiu pena dos demais mortais. Não muito, é verdade, mas sentiu.

E sorriu como somente um homem que beija uma Maria seria capaz de sorrir.

Havia chegado, enfim, a sua vez de sorrir.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Intuição

Intuição, sexto sentido, pressentimento, sinais, chame como quiser.

O fato é que, de uns tempos para cá, resolvi prestar um pouco mais de atenção a esses "sinais" que a vida nos dá.

Comecei com coisas pequenas, por óbvio. Coisas como "não vá a determinado lugar", "não compre certa coisa", dentre outras.

Aos poucos, então, passei a observar esses sinais em relação a coisas mais importantes na minha vida.

Coisas bem relevantes, eu diria.

E não é que está dando certo?

Tanto que, nas últimas duas vezes que ignorei essa voz interior, acabei me arrependendo.

Não foi nada de tão relevante assim, é verdade, mas o suficiente para me lembrar o quão a intuição é importante e não deve ser ignorada. 

Jamais.

Mesmo tendo realizado essa mudança de comportamento de forma gradual, ainda hoje fico pasmo como esse negócio funciona.

É ignorar o pressentimento e se arrepender - não tem erro.

Às vezes, dá até um "medinho" dessa percepção toda. 

Bizarro, jovens. Bizarro.  

Nada me resta, pois, senão ouvir cada vez mais essa "voz interior".

Definitivamente, tem dado certo. Muito certo.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

1º de maio de 1994

Lembro como se fosse hoje do dia 1º de maio de 1994: dia em que o maior ídolo que este país já viu faleceu em um acidente trágico.

Eu e meu querido primo, que também já é falecido, jogávamos vídeo-game na casa dele enquanto a corrida não começava

Um jogo de corrida, por óbvio.

Lembro que, tão logo o acidente ocorreu, todos ficamos perplexos, e uma certa angústia tomou conta do ambiente.

Olhava para meu primo, que, por sua vez, olhava para mim. Sequer sabíamos o que falar.

Dava para sentir o ar pesado mesmo antes da notícia que desolaria um país inteiro e boa parte do mundo.

E foi com a confirmação da morte que o país parou (literalmente).

Não estou exagerando: o país parou!

Lembro de conter o choro por vergonha, o que hoje me parece uma grande bobagem. 

Horas mais tarde, quando meus pais foram me buscar, pude testemunhar no rosto dos transeuntes a mesma consternação e tristeza que me habitavam.

Todos estávamos tristes. T - O - D - O - S !

Era quase denso aquele sentimento comum aos brasileiros. 

Não me lembro de testemunhar tamanha comoção. Pelo menos, nada que chegasse perto disso.

Assim que cheguei em casa, fui chorar escondido no banheiro. Coisa de criança.

Recordo direitinho da sensação de impotência que me tomou de assalto naquele momento. Foi a primeira vez que lidei com a finitude de um ídolo.

O curioso é que, mesmo sendo uma pessoa estranha, ele parecia fazer parte da família. 

[Tenho certeza que essa sensação não é uma exclusividade minha]

Os mais novos, certamente, vão achar isso um exagero. Mas só tendo vivido naquela época para entender o que, de fato, ele representou para o Brasil.

O Ayrton era uma espécie de bálsamo para uma população deveras sofrida. Um lenitivo.

Um verdadeiro ídolo.

Espero que esteja acelerando em algum lugar por aí como somente ele sabia fazer. E como sabia.

Oremos (literalmente, desta vez).

domingo, 28 de abril de 2019

O dia em que fui a um show de rap

No sábado à noite, por uma dessas incógnitas da vida, acabei indo a um show de rap.

Não tenho o know-how necessário para dizer o quão raiz era aquele rap (se é que existe rap considerado raiz). 

De qualquer forma, posso assegurar que, de fato, tratava-se de rap.

Não sei bem ao certo se foram os chopes em demasia que havia tomado até então ou mesmo o poder de persuasão das pessoas que me convidaram para o show, mas a questão é que aceitei o convite.

Lá chegando, de início, reparei que estava longe do meu habitat natural. 

Far, far away...

A primeira coisa que me chamou a atenção é que a maioria das pessoas usava boné de aba reta e tatuagem no pescoço. 

Não que eu tenha ficado surpreso com isso, afinal, trata-se do estereótipo perfeito do "rapper", mas achei interessante como estavam todos tão parecidos.

"Todos iguais, mas uns mais iguais que os outros".

Sabe aquelas patricinhas que se vestem exatamente do mesmo jeito? Então, era mais ou menos assim, só que com uma pegada mais marginal (no sentido figurado, claro). 

Um ar ligeiramente mais malvado que de uma patricinha, digamos assim.

Outro fator que não posso deixar de comentar é o uso maciço daquela erva verde proibida por Lei.

Me senti em uma ilha (só que ao invés de água, estava rodeado de "maconheiros" por todos os lados).

Bebida não é o bastante para essa gente? 

Vai entender...

As músicas foram um caso à parte. Com exceção de uma ou outra que deve ter sido executada em alguma novela da globo, não conhecia nada (e olha que sou um cara que escuta muita música).

Se bem que o fato de eu não conhecer não torna a música ruim (longe disso). No fim das contas, gosto musical é algo muito subjetivo e todos sabemos disso.

Enfim...

Minha animação alcoólica se estendeu até mais ou menos o meio do show da atração principal.

Após isso, tudo que se passava na minha cabeça era: "O que diabos eu estou fazendo aqui?"

Me senti feito o Eduardo: "Festa estranha com gente esquisita, eu não tô legal, não aguento mais birita".

Nada me restou senão ir embora.

E foi só com um bom rock no som do carro que as coisas voltaram a fazer algum sentido.

"Nunca mais" é um termo muito forte. Porém, se tudo sair conforme o planejado, nunca mais irei a um show de rap!

Nunca mais.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Que seja foda!

Já me perguntaram, mais de uma vez, por que eu ainda não arranjei uma namorada.

Afinal, já se passou um tempo relativamente razoável desde o divórcio (pouco mais de um ano).

Digo relativamente porque há quem considere pouco tempo, há quem considere bastante.

Questão de ponto de vista. Sempre é.

Mas a resposta para essa pergunta é bem simples, na verdade. 

Estou esperando pela mulher certa... 

Não pela mulher ideal (até porque isso não existe), mas pela certa.

----------------------- PAUSA PARA UM CAFÉ --------------------------------

Talvez você esteja se perguntado como eu vou saber quando isso acontecer.

E a resposta também é simples: Quando brilhar o olho (seja no sentido literal, seja no figurado). 

Só quem já sentiu isso um dia sabe do que estou falando.

Sabe aquela mulher capaz de lhe fazer se sentir enfeitiçado? Que lhe provoca sorrisos involuntários a cada mensagem recebida?

Uma mulher que, mesmo após se despedir, dê uma olhadinha para trás buscando meus olhos pela última vez, saca?

Em resumo: uma mulher capaz de abalar minhas estruturas mais sólidas. 

Não que eu me julgue especial. Absolutamente.

Mas é que tenho me sentido bem na minha atual condição. É como se as coisas finalmente tivessem se ajeitado.

Sabe aquela tão sonhada "paz interior"? Acho que encontrei a maldita (bendita, no caso).


O fato é que "aprendi" a ser solteiro e a lidar muito bem com isso, o que é ótimo.

Então, se for para me envolver com alguém, que seja especial. 


QUE SEJA FODA! 


Um terremoto superior a 8 graus na escala Richter!


Nem mais, nem menos.


Era isso.


quinta-feira, 7 de março de 2019

Muito mais do que apenas palavras


Já me disseram que exprimo bem meus sentimentos quando escrevo.


Não sei dizer ao certo se é mesmo verdade. De qualquer forma, confesso que gostei de ouvir isso. Bastante, eu diria.

É que nem sempre é fácil externalizar o que se sente, sobretudo sem expor pessoas ou situações; pelo contrário.

Imagino que o fato de imprimir sinceridade no ato de escrever, para o bem ou para o mal, faça toda a diferença. 

Diferentemente de quem o faz movido por algum tipo de interesse oculto (como agradar uma garota, por exemplo).

Não que isso seja errado. Não mesmo. Mas é como se o fato de premeditar o resultado e a verdade andassem em direções opostas, se é que isso faz algum sentido.

Querendo ou não, o interlocutor consegue identificar quando se está sendo realmente verdadeiro (será mesmo?)

Pelo menos é o que eu acho, o que me parece.

Talvez por isso meus textos favoritos são sempre aqueles com uma carga mais visceral, mais real.

Aqueles que vêm lá do âmago. 

Visivelmente, são os que mais fazem sucesso entre os leitores, seja por empatia, seja por mera curiosidade mesmo.

Na dúvida, então, continuarei nessa pegada. Até porque, antes de agradar os outros, tenho que agradar a mim mesmo.

O resto é consequência.

segunda-feira, 4 de março de 2019

Expectativa

Criar expectativa sobre algo/alguém costuma ser uma droga.

Eu sei disso, você sabe disso, todos nós sabemos disso.

Afinal, quando a intenção/plano não se concretiza, o que fica é decepção. Um desapontamento proporcional ao que se esperava, senão maior.

Por que, então, criamos tantas expectativas?

Obviamente, não sei a resposta. Ninguém sabe, imagino eu.

Mas se fosse para dar um palpite, diria que é porque é boa demais essa fase "pré-concretização" (ou "pré-decepção", dependendo do resultado).

Essa fase por de mais interessante que gira em torno do mundo ideal, em que apenas o céu é o limite

Até porque, nela, por ainda se tratar do campo hipotético, tudo pode acontecer. Tudo.

Sonhar, ter esperança, é da natureza humana. É o que move o homem atrás de coisas melhores. 

[Estou filosófico hoje, não?]

E se a contrapartida para viver essa fase é "cair do cavalo" vez ou outra, eu aceito.

Sim, eu aceito.

Mesmo porque, é um preço pequeno a se pagar pelos benefícios de uma expectativa bem criada.

É como ensina a letra daquele famoso samba: "sonhar não custa nada".

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Reciprocidade

Todos os dias quando acordo, acontece a mesma coisa. Sempre.

Dirijo-me à cozinha e dou de cara com a minha catiora que, invariavelmente, está com aquela carinha do "gato de botas".

Aquela carinha de quem diz"tu não vai passear comigo seu filho da puta?" 

[Perdoem-me pelo palavrão, mas tentei ser o mais realista possível]

Prontamente, então, olho para ela e digo em voz alta (sim, eu falo com a minha cachorra): "Calma, lindinha, já vou passear contigo".

Digo isso e penso: Antes, contudo, vou tomar um café descansado. Eu mereço.

Mas a minha catiora sempre fica lá, junto à porta, me olhando com aquela carinha triste. Aquele semblante de cachorro abandonado.

Na clara tentativa de me chantagear, ela chega a virar a cabeça de lado. Juro.

E isso sempre faz com que eu sucumba ao desejo impulsivo do bichano. Em resumo, deixo o café de lado e lá vou eu passear com a catiora, com ou sem fome.

Há quem considere isso um ato de amor. Pode até ser.

Mas sempre penso que isso é uma prova cabal de que não estou pronto para ser pai. É que, se fizer isso com uma criança - realizar todos os seus desejos -, é certo que virará uma usuária de crack com 12 anos (risos).

Brincadeiras à parte, a verdade é que não resisto ao chorinho da minha catiora.

Então, nada me resta senão passear com ela pelos arredores do meu prédio logo cedo, o que é bem engraçado.

Afinal, não é muito comum um cara barbudo passear com uma cachorra peludinha e cheio de laços, sobretudo envolta por uma coleira rosa.

Tenho certeza que isso chama um pouco a atenção das pessoas.

Mas questão é que a cachorra me faz bem demais. DEMAIS.

E se passear logo cedo com ela, mesmo antes do café, é uma forma de retribuir todo esse bem, por que não o fazer?

No fim das contas, deveríamos reger nossas vidas assim: através da reciprocidade.

Simples assim.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

No olho do furacão

Acordei meio estranho hojeMeio inquieto, na verdade.

Tomado por mil pensamentos desmedidos por minuto.

E confesso que as doses industriais de café não estão ajudando em nada na vã tentativa de aplacar essa sensação tão peculiar.

Tampouco esse vento relativamente frio que lembra o outono e suas doces memórias.

[Já falei que o outono costuma me deixar mais reflexivo?]

Concentração = zero.

Sabe quando você sente que, para o bem ou para o mal, algo grande está por acontecer?

Quando bate aquele frio repentino na barriga?

Então...

É exatamente essa a sensação que me toma de assalto neste momento.

Como se estivesse no mar, cravado com os pés no chão, sentindo o repuxo de um tsunami que se forma no horizonte. 

É como ter certeza que de nada adianta correr, pois a onda virá com força fazendo terra arrasada.

Faz algum sentido isso? 

[Se não faz nem para mim, imagine para vocês]

Talvez seja apenas esse ventinho típico de outono mesmo ou, ainda, as doses exageradas de café... Uma noite mal dormida, quem sabe.

Honestamente, não sei dizer ao certo.

De qualquer forma, a sensação continua lá. Aqui, para ser mais exato.

In pectore expuli.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Brasil: uma pátria de mal educados

Estava em um bar ontem onde estava rolando um som ao vivo.


Lá pelas tantas, o cantor sugeriu que pedissem algumas  músicas. 

Aquela coisa de sempre...

Um argentino, que estava sentado próximo ao palco, pediu alguma música em espanhol, cujo cantor negou sob o argumento de que desconhecia.

Tudo normal até então.

Em seguida, disse o cantor: "peça algo em português".

O Argentino, então, encheu o peito, e pediu: "toca uma do Paulinho Moska".

Quase que em sintonia, todos no bar começaram a rir, especialmente quando o cantor bradou aos risos: "não conheço Paulinho MOKA".

Não bastasse isso, ficou a noite inteira zoando o Argentino. Dizia: "na próxima vez que vier aqui, vou tocar uma música do Paulinho MOKA"

Tudo, claro, sob o espanto do Argentino, que cansou de levantar suas mãos ao céu sob protesto, como quem dizia: "mas o Paulinho Moska é brasileiro...".

De fato, Paulinho Moska não é muito famoso, especialmente aqui no sul.

Eu mesmo não recordo do nome de alguma música dele. E olha que gosto bastante de música.

Mas a questão nem é essa.

A questão é que o brasileiro, além de ignorante, é mal educado.

Tenho certeza que o Argentino voltou com uma má impressão de nosso país. Ou, talvez, com a impressão certa mesmo.

No fim das contas, não passamos de uma pátria de pessoas mal educadas.

Nem mais, nem menos.