segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Otimismo.com

Imagem: https://esquizofenix.wordpress.com
Desde pequeno, sempre fui incentivado pela minha mãe a ser uma pessoa otimista.

Era (ainda sou, na verdade) repreendido sempre que deixava escapar algum comentário pessimista.

Seicho-no-ie style, saca?

E a verdade vos digo, meus amigos: encarar a vida com otimismo faz toda a diferença.

Isso porque, quando você é um pessimista nato, não importa o quanto você se esforce, parece que as coisas sempre dão errado.

É como se você atraísse problemas em série, tal como um carro velho. 

Praticamente uma espécie de círculo vicioso.

Contudo, isso não significa que as coisas dão sempre certo aos otimistas. Não mesmo.

[As coisas não dão certo o tempo todo, seja você otimista ou não]

Ocorre que o otimista, certamente, está melhor preparado para as inúmeras frustrações que a vida nos proporciona. 

É que, quando algo dá errado, não fica se lamentando; pelo contrário, procura extrair a melhor lição possível e segue o baile.

O problema não vira uma bola de neve, mas sim apenas mais uma importante lição.

Pelo menos, é assim que enxergo essa questão.

O pessimista, por sua vez, tem um modus operandi diferente. Dentre outras coisas, sempre que algo dá errado, socorre-se dos velhos mantras: "eu sabia que ia acontecer isso" ou "isso sempre acontece comigo".

Quem não conhece alguém assim?

É claro que não conseguimos ser otimistas o tempo inteiro. Ninguém consegue.

Mas, se sabemos que a vida não é esse mar de rosas todo que o Instagram insiste em nos mostrar, por que tornar tudo mais difícil?

Problemas existem quer você queira, quer não.

Então, sejamos mais como minha mãe.

Afinal, com otimismo, tudo fica mais fácil. 

Só acho.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

O dia em que fui enganado por um taxista chileno

Tão logo saí de férias, disse para mim mesmo: preciso fazer uma viagem. 

Algo diferente, para variar.

Estava meio em cima da hora, é verdade, mas sabia que conseguiria algo. Não seria a primeira vez.

Então, fui a uma agência de turismo e, por sorte, descolei uma viagem com outras pessoas avulsas para dali alguns dias. Dois dias, para ser mais exato.

O destino: o Chile. Um país incrivelmente lindo, diga-se de passagem.

A famosa Cordilheira dos Andes não é famosa por acaso. Acreditem.

Da janela do avião, já me surpreendi com a beleza da cadeia de montanhas. É, simplesmente, lindo demais o negócio. Impactante.

Mesmo na Cidade de Santiago, em qualquer direção que você olhe, lá está a Cordilheira. Imponente, para dizer o mínimo.

Ocorre que, chegando em Santiago, descobri que nosso Real não vale absolutamente nada naquelas bandas, ainda que o câmbio sugira o contrário.

Um exemplo disso é que uma long neck custa algo em torno de R$ 28,00, com uma variação de dois a três reais para mais ou para menos, de acordo com o local (R$ 23,00 segundo a PM, R$ 32,00 segundo o Data Folha).

Some isso ao fato de que adoro uma cerveja gelada e calcule o prejuízo que tive em sete dias.

De qualquer forma, não deixei de aproveitar. Como todo bom e velho turista, pensava: "Foda-se, nunca mais voltarei aqui..."

Enfim.

Como minha operadora de telefonia, também conhecida como a antítese do morto, cobrava uma tarifa de quase R$ 40,00 por dia para usar internet, ficou meio complicado utilizar o Uber em algumas ocasiões, não restando outra opção senão me socorrer dos táxis.

Então, dia vai, dia vem, foram vários os táxis utilizados no decorrer dos sete dias, sempre com um valor relativamente justo.

Em um domingo, contudo, a história foi outra

Resolvi almoçar no famoso Costanera Center, um Shopping localizado no maior prédio da América Latina.

Como era de se esperar, paguei caro pelo almoço e pelas cervejas. Tudo dentro da normalidade.

Na hora de voltar para casa, assolado por uma preguiça clássica inerente a um pós-almoço de domingo, optei por chamar um táxi, mesmo o hotel estando localizado há cerca de apenas 1 km de distância.

Até porque, já havia feito isso antes e gasto bem pouco (algo em torno de R$ 12,00).

A corrida, por óbvio, durou não mais que três minutos. TRÊS MINUTOS!

Ao perguntar para o motorista o preço da corrida, porém, ele apontou para o taxímetro e afirmou: "Dezessete mil pesos, Sr".

- Quanto? - perguntei, achando que havia entendido errado.

- Dezessete mil pesos, Sr - repetiu o taxista, como quem já esperava um protesto.

Em uma viagem anterior, a corrida havia saído por, no máximo, dois mil pesos. Assim, num misto de curiosidade e indignação, indaguei o motorista:

-  Mas por que tão caro?

Segundo o motorista, o fato de ter pego o táxi em um domingo e na frente do shopping aumentava seu valor de forma considerável.

Tentei argumentar com o motorista que estava muito caro, porém meu protesto foi em vão.

Sabia que estava sendo enganado. TINHA CERTEZA DISSO.

A única coisa que me ocorreu no momento foi: "Vou pagar esse valor e pronto. Branco desse jeito, se cair em uma prisão chilena, serei estuprado rapidinho... (risos)".

E foi assim que perdi pouco mais de R$ 100,00 reais em uma corrida de táxi de apenas 1 Km.

Daquele dia em diante, "optei" por ir a pé aos lugares. Sorte que a viagem já estava no final.

Moral da história: Pilantras não são uma exclusividade do nosso Brasil.

sexta-feira, 16 de março de 2018

As roupas insinuantes de Sheila

Imagem: Gil Elvgren
Cláudio tinha uma mulher considerada perfeita.

E isso não se dava apenas por seus belos atributos físicos, mas porque era conhecida por estar sempre impecável e provocante.

Doze anos mais jovem que o marido, andava 24 horas "montada". 

Em resumo, estava sempre maquiada e vestida com roupas bonitas e curtíssimas.

Literalmente costumava parar o trânsito por onde passava. 

Se vestia de forma tão insinuante, mas tão insinuante, que nem mesmo o espaço aéreo era poupado.

Tudo com o intuito de chamar a atenção de Cláudio, o marido.

Sheila era o seu nome.

Ocorre que Cláudio jamais havia tecido comentários sobre a forma como sua esposa se vestia. 

Nem para o bem, nem para o mal

JAMAIS.

E isso incomodava Sheila (e como). Até porque, ela entendia essa falta de despreocupação do marido como falta de amor.

Sempre reclamava para as amigas que era impossível que ele não tivesse ciúme de suas roupas, que, não é demais repetir, eram curtíssimas e provocantes por demais.

Tanto que jamais passava despercebida por onde "desfilava", com exceção da própria casa.

E isso foi minando Sheila à medida que o tempo ia passando. Afinal, estava cada vez mais convicta de que seu marido não a amava mais, se é que um dia havia amado.

Certo dia, então, desanimada com a falta de valorização no próprio lar conjugal, Sheila saiu de casa chorosa e, pasmem, toda mal arrumada.

Vestia uma calça dessas de academia e um moletom cinza caído sobre um dos ombros. Além disso, não continha uma única grama de maquiagem no rosto, algo quase inimaginável para Sheila.

Quando Sheila chegou em casa, já noite, Cláudio não acreditou no que seus olhos lhe mostravam. Fazia pelos menos uns 15 anos que não via sua esposa daquele jeito.

Então, de bate-pronto, perguntou-lhe:

- Aonde você foi vestida desse jeito? Não acha que está saindo muito bonita por aí, não?

Sheila ficou perplexa. Não estava acreditando no que ouvia.

Então, depois de alguns segundos, perguntou ao marido:

- Você está com ciúmes, Cláudio?

- Claro que sim - respondeu o marido. E completou: - Por que não estaria? Você está tão linda...

Sheila não se conteve e pôs-se a chorar. Em seguida, aos soluços, disse:

- Eu te amo tanto, Cláudio. Obrigado por isso.

Sem entender direito, Cládio apenas limitou-se a dizer:

- Eu também te amo, meu amor. Mas não saia mais dessa maneira, por favor... Está bonita demais para sair na rua desse jeito...

Sheila chorou por uma semana.

E, desde então, nunca mais se arrumou como outrora. E assim foram felizes para todo o sempre.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Muito mais do que apenas um cachorro

Confesso que procrastinei um pouco este texto.

E fiz isso por um único motivo: gosto tanto da minha cachorra que não sabia nem por onde começá-lo.

Mais do que isso, tinha medo de o texto não ficar à altura do carinho que tenho pelo bicho (podem achar graça, mas é a mais pura verdade).

E olha que, no começo, fui um tanto reticente em relação a esse negócio de ter um cachorro em casa (no caso, no apartamento).

Tinha medo de que acabasse atrapalhando eventuais viagens, estragasse os móveis sob medida, fizesse barulho de madrugada, dentre outras coisas.

Sabe aquele receio normal de mudar um time que está ganhando? Então...

Mas minha mulher estava com tanta vontade/necessidade de ter um cachorrinho que acabei sucumbindo aos seus desejos.

De inopino, então, abrimos o notebook, escolhemos uma cadelinha simpática pelo OLX e, sem muito pensar, efetuamos a compra.

Bastava, assim, esperar pela entrega.

No outro dia pela manhã, contudo, acordei com aquela sensação de que havia me precipitado. Mas, como não havia mais volta, o jeito era se acostumar com o novo ser que estava prestes a chegar em nossa casa.

Ocorre que simpatizamos com a Josefina - sim, o nome da nossa cachorra é Josefina - desde os primeiros segundos. E não poderia ser diferente, pois quem a conhece sabe que se trata de uma "catiora" muito carismática.

Tanto que bastarem três ou quatro dias para me dar conta de que estava encantado pela cachorra.

Não sei nem como explicar, mas gosto demais do bicho! É como se fosse um membro da família.

Para o bem ou para o mal, a verdade é que gosto mais da minha cachorra do que de muito gente por aí.

Prova disso é que, neste mesmo instante, ela está aqui do meu lado tentando rasgar o sofá e, ainda assim, não há jeito de ficar bravo com ela.

Sei lá, o bicho tem uma energia boa. Está sempre contente e disposto a brincar, diferentemente de nós seres humanos que, vez ou outra, somos uns idiotas, para dizer o mínimo.  

A verdade é que a Josefa passou a ser uma integrante essencial desta família (desconfio, aliás, que ela está bem ciente disso).

E se você está em dúvida entre comprar ou não um cachorro, acho que já entendeu o recado.

Satisfação garantida!

sábado, 27 de janeiro de 2018

O homem que não sorria


João era conhecido por todos por uma característica um tanto heterodoxa: não sorria em hipótese alguma.

Não era apenas mais uma dessas pessoas sérias demais. Ele, literalmente, não sorria.

E nem mesmo a mais fofa das criaturas era capaz de arrancar um sorriso do sério e peculiar João.

No escritório de contabilidade onde trabalhava, havia até uma lenda de que João não sorria desde criança, cuja veracidade, vez ou outra, era questionada pelos mais curiosos.

O fato é que os colegas mais antigos já estavam acostumados com tamanha seriedade. Os mais novos, não.

Certo dia, então, Ana Cláudia, uma contadora recém contratada, não acreditou quando ficou sabendo da característica de seu colega.

Repetia para si mesma em voz alta: - Ninguém fica anos sem sorrir! Ninguém!

Assim, inconformada que só, apostou com os colegas que arrancaria um sorriso de João.

Após uma meia dúzia de chopes, disse a todos em um happy hour: - Serei a primeira a arrancar um sorriso de João, haja o que houver!

Os colegas, contudo, já estavam gastando por conta da aposta. Afinal, se existia algo que não mudava neste mundo era o fato de que João não sorria. NUNCA!


Ocorre que Ana Cláudia era uma mulher insistente. Além disso, era do tipo que não sabia brincar quando o assunto era uma aposta. Fazia chover, se fosse preciso, para  triunfar sobre os outros.


Numa quinta-feira pela manhã, então, começou a puxar assunto com João, o que acabou se repetindo nos dias seguintes.

Uma piadinha aqui, uma gracinha acolá. Porém, nada acontecia. Absolutamente nada.

Ana Cláudia tentou até mesmo fazer cécegas em João. Este, contudo, continuava impávido. 

Tão sério quanto um homem sério deve ser.

Irresignada com seu fracasso, Ana Cláudia resolveu apelar. Era tudo ou nada desta vez.

Então, no final do expediente de uma terça-feira chuvosa, quando se encontravam apenas os dois no escritório, Ana Cláudia foi até a sala de João.

De inopino, entrou, trancou a porta, e disse: - Quero você, João! Quero você agora!

Inicialmente, João achou estranho comportamento de sua colega, mas acabou não resistindo aos seus encantos.

E assim se passaram duas horas de loucuras indescritíveis.

Mas nem mesmo se virando do avesso Ana Cláudia conseguiu fazer João sorrir. Estava realmente difícil. 

Numa última tentativa, então, Ana Cláudia, com a sua voz mais meiga, miou:

- Dá um sorrisinho pra mim, João... Queria tanto de ver sorrir... Só um, vai...

Seu colega, porém, limitou-se a permanecer sério, o que fez com que Ana Cláudia saísse da sala irritada.

João, por outro lado, trancou a porta da sala, sentou em sua cadeira e fechou a cortina. 

Ato contínuo, após se certificar de que não tinha ninguém olhando, abriu um sorriso largo; Um sorriso vibrante; Um sorriso gostoso; Um sorriso que não dava desde os nove anos de idade.   

Finalmente, disse para si mesmo em voz alta: - A vida é boa! 

E, ainda sorrindo, repetiu: - A vida é muito boa!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

A barba



Foto: http://cdn.gq.com.mx/uploads/images

De repente, senti uma vontade de deixar a barba crescer. Uma barba grande e vistosa, estilo "LENHADOR NUTELLA", saca?

O porquê disso eu não sei, mas acabei sucumbindo a essa vontade e deixei os pelos faciais avançarem sem freio para ver no que ia dar.

E cá estou com uma barba "legalzinha". Se é que uma barba pode ser adjetivada dessa maneira.

No começo, admito que foi estranho sair com o rosto coberto de pelos, tipo um neandertal, mas fui me acostumando aos poucos, a ponto de não mais me imaginar sem ela (a barba).

A impressão que tenho, talvez equivocada, é que fiquei com mais personalidade.

Tipo "ali está um cara que sabe o que quer" (fui obrigado a rir dessa...


Mas, talvez, tenha ficado apenas mais feio mesmo; um risco sempre presente.


Claro que o resultado dessa barba desmedida não tem se mostrado uma unanimidade. 

Na noite de natal mesmo, fui chamado de Enéas (procure no google se você tiver menor de 30 anos). E, alguns dias antes, de papai noel. 

Papai noel? Sacanagem...

---------------------------- PAUSA PARA UM CAFÉ -------------------------------

Retomando: Há, por outro lado, alguns poucos apoiadores da causa, cuja opinião, por questões óbvias, aprecio muito.

De qualquer forma, optei por permanecer barbudo por mais um tempo. Pelo resto da vida, quem sabe...

Até porque, seria uma injustiça com quem quer ter barba e não pode, seja pelo motivo que for.

Abdicar de usar barba, então, ainda mais nos dias de hoje, representaria uma espécie de desperdício de talento.

E como homens médios não podem se dar ao luxo de desperdiçar um talento, dada a sua escassez, nada me resta senão manter a barba no rosto até segunda ordem.  

Afinal, como disse antes, estou gostando da brincadeira.

Talvez até um pouco demais...


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

O feitiço

Foto: http://www.robsonpiresxerife.com/wp-content/uploads/2012/09/caldeirao.jpg

- Preciso de um feiticeiro – foi a primeira coisa que Rubens disse  tão logo Aderbal, seu melhor amigo, entrou no bar.

- Como assim? – perguntou Aderbal, um tanto surpreso com a frase dita por Rubens, que, até onde conhecia, era cético o bastante para rechaçar qualquer coisa parecida.

Rubens, então, num misto de animação e sofreguidão, disse:

- Estou apaixonado, meu caro.

- A – P – A – I – X – O – N – A – D – O! – repetiu Rubens, como se estivesse naquele programa de gosto duvidoso chamado soletrando.

Inicialmente, Aderbal pôs-se a sorrir. Poucos milésimos de segundos depois, contudo, perguntou:

- Apaixonado por quem?

- Pela Marta, da contabilidade – respondeu Rubens.

- Mas como isso aconteceu?

- Lembra daquele churrasco que fizemos na casa do Aroldo no ano passado? Na beira da piscina e tal... Lembra?

- Lembro – disse Aderbal.

- Então... nunca mais fui o mesmo depois daquele churrasco. Lembro como se fosse hoje quando vi a batata da perna da Marta  pela primeira vez – completou Rubens, pouco antes de dar um longo suspiro.

- Batata da perna? – perguntou Aderbal com cara de quem não entendeu direito.

- É... batata da perna... Panturrilha! Saca?

Em seguida, Rubens emendou: - A verdade é que, depois que vi a batatinha da perna da Marta, acabei me apaixonando por ela... não sei dizer o porquê, mas aquela panturrilha foi demais para mim... E, desde então, não consigo fazer outra coisa senão pensar nela... é tipo uma maldição...

- Por isso o feiticeiro? – perguntou Aderbal, sorrindo.

- Exato.

- Mas, afinal, qual o problema de você se apaixonar pela batata da perna da Marta? – tornou a perguntar Aderbal, ainda sorrindo.

- Sou casado, lembra? – respondeu Rubens, de bate pronto.

- Você está apaixonado por uma batata da perna. E, até onde sei, isso não é tecnicamente uma traição – ponderou o amigo, como se quisesse amenizar sua culpa.

- Pode até ser - respondeu Rubens, balançando a cabeça. 

Porém, após alguns poucos segundos, disse: 

- Só tem um pequeno problema... tenho certeza que minha mulher não vai gostar nada  nada dessa coisa de se apaixonar pela batata da perna alheia. Tenho certeza...

- Ao feiticeiro, então? - perguntou Aderbal.

- Ao feiticeiro! - respondeu Rubens. 

E completou: - Mas tem que ser dos bons! - Dos bons!

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Questão de prioridade


Dia desses, estava lendo um texto sobre a mudança de prioridades entre a nossa geração e a de nossos pais.

O texto mencionava, dentre outras coisas, que a necessidade de acumular bens materiais é coisa do passado. Agora, o objetivo é viver uma vida plena/intensa enquanto se é jovem, com o que tive que concordar.

Acredito que esse negócio de juntar dinheiro em cima de dinheiro para quem sabe num futuro nem tão próximo assim desfrutar da vida, de fato, é uma máxima que se encontra ultrapassada.

Por que fazer aquilo que gostamos quando estivermos aposentados (e sem energia) se podemos fazer agora?

Faz sentido, não?

Tenho certeza de que a vontade do meu pai, quando tinha a minha idade, não era enfiar a cara nos livros por anos a fio para passar em um concurso público, tal como ele fez.

Fez isso por necessidade, por vontade de dar um futuro melhor aos filhos, o que, é importante mencionar, conseguiu por méritos próprios.

Definitivamente, sou grato por isso. Afinal, não passamos 1/30 do trabalho que ele passou na vida.

Mas a pergunta é: qual seria a melhor forma de agradecê-lo por isso?

Repetir o padrão (leia-se: ficar estudando por anos a fio em busca de um emprego melhor) ou aproveitar que a questão financeira não é um problema como era na época dele e desfrutar da vida desde já?

Em resumo, penso que deixar para fazer aquilo que nos interessa no futuro nunca será uma boa ideia. Mesmo porque, a incerteza a ele inerente pode fazer com que nossos planos limitem-se ao papel, que, como sabemos, tudo aceita.

Não vou bancar o descolado aqui e dizer que também não me importo com um futuro financeiramente seguro e coisas do tipo. Porém, estou tentando, na medida do possível, aproximar-me mais dos ideais desta nova geração.

Viver o aqui e o agora enquanto estou aqui e agora.

De qualquer forma, no fim das contas, talvez o ideal mesmo seja o bom e velho equilíbrio. 

Mas quem disse que é fácil equilibrar-se? (pergunte a um equilibrista para ver só).

O problema é que a balança sempre acaba pendendo para um lado.

Que penda, então, para o melhor lado: para o lado que sabe desfrutar da vida.

Oremos.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Pedalando por aí...

Já faz algum tempo que me apaixonei por esportes, a ponto de me sentir doente se não me exercitar quase que diariamente.

E, nesses últimos meses, tenho me encantado cada vez mais por um esporte em particular: o ciclismo.

Diferentemente da corrida - que, via de regra, nos limita a poucos quilômetros - e da musculação - que é uma modalidade praticada indoor -, o ciclismo é um esporte que nos faz conhecer e explorar lugares.

Pode soar um tanto clichê o que eu vou dizer agora, mas o ciclismo faz com que nos sintamos vivos - aquele papo de conexão com a natureza, por incrível que pareça, faz algum sentido. 

Mas, mesmo tendo as qualidades acima, o ciclismo é considerado um esporte bastante vigoroso, na medida em que exige bastante do corpo.

E quando eu digo "bastante", eu quero dizer muito mesmo. Afinal, só quem já subiu uma serra em cima de uma bicicleta sabe do que eu estou falando.

Sofrimento puro. Nada mais, nada menos.

Sem falar dos gastos que temos com esse esporte que, infelizmente, é considerado caro.

O mais curioso, contudo, é que, independentemente de tudo isso, sempre voltamos e fazemos tudo de novo. 

Não sei explicar ao certo, mas a sensação que nos acomete após uma longa pedalada é incrível. Praticamente uma injeção de endorfina direto na veia.

Por mais paradoxal que seja: quanto maior o esforço, maior a satisfação.   

Sei que talvez esteja soando um tanto exagerado, mas se eu pudesse pegar essa "sensação pós-pedalada" e colocar dentro da cabeça de outras pessoas, tenho certeza que teriam mais praticantes desse esporte por aí. 

Satisfação garantida.

Enfim, apenas gostaria de compartilhar o meu amor por esse esporte tão incrível.

Abaixo, seguem algumas fotos que tirei  ao longo desse último ano.






sexta-feira, 29 de abril de 2016

Aquela dos olhos negros

Foto: http://rockntech.com.br
Já fazia algum tempo que Maurício estava encantado por Renata, uma de suas colegas de estágio que detinha um belo par de olhos negros.

Todos na empresa, invariavelmente, já haviam percebido que Maurício estava literalmente de quatro por sua colega, inclusive a própria Renata.

Renata, aliás, parecia estar gostando de exercer esse papel de mulher venerada. 

Os colegas de trabalho de Maurício, por outro lado, alertavam-no a todo instante acerca do perigo que estava correndo ao tentar se envolver com a bela e, aparentemente, recatada Renata.

Insistiam na tese de que Maurício iria sair com o coração dilacerado desse relacionamento que sequer havia iniciado.

Tanto que a frase que mais se ouvia na empresa era "aquela dos olhos negros vai machucar seu coração".

Maurício, por sua vez, dava de ombros aos avisos dos colegas; mesmo porque, estava aficionado por aquela mulher e faria de tudo para tê-la em seus braços antes que acabasse seu estágio, cujo fim se aproximava a passos largos.

Assim, resolveu intensificar os ataques. Era tudo ou nada.

De repente, então, qualquer coisa era motivo para Maurício puxar uma conversa, encostar a mão no ombro de sua colega, buscar uma xícara de café, dentre outros tantos atos (friamente calculados) praticados na tentativa de conquistá-la.

E nem mesmo os mais pessimistas dos colegas, que diziam que Renata era mulher demais para ele, conseguiram demovê-lo da ousada ideia.

À medida que o tempo passava, contudo, Maurício ia ficando cada vez mais sôfrego. Afinal, por mais esforços que envidasse, não conseguia sair do zero a zero.

A questão é que Renata dava corda ao seu colega - até demais -, mas acabava sempre recuando no momento final, o que ia minando as intenções de Maurício pouco a pouco.  

Até que chegou o fim de seu estágio e, com ele, o dia em que Maurício, não aguentando mais o "chove não molha", abriu seu coração aos colegas mais próximos.

Falou, em apertada síntese, num misto bizarro de agonia e felicidade, que Renata estava lhe consumindo como nenhuma outra.

Um de seus colegas, então, colocou a mão sobre seu ombro e, de uma forma nada reconfortante, perguntou:

- Nós avisamos que aquela dos olhos negros iria machucar seu coração, não avisamos?

- Avisaram... - respondeu Maurício, um tanto triste, um outro tanto conformado. 

E completou: - Pior que avisaram... 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Você não faz ideia...

Eduardo sabia que estava em apuros. Contudo, isso não o impedia de prosseguir; afinal, a iminência do desastre era justamente o que o motivava.

O desastre, no caso, tinha um nome. Para ser mais exato, um nome composto: Maria Ângela.

Maria, que de anjo não tinha nada, era a antítese de seu correspondente bíblico. 

Praticamente, um pecado com pernas, cujas formas eram belas o bastante para atormentar quase que a totalidade das pessoas que trabalhavam na vigilância sanitária de um município do oeste do Estado.

Eduardo, por outro lado, era o típico homem médio: Nem belo, nem feio; Nem gordo, nem magro; Nem rico, nem pobre.

Em suma, médio como um homem médio deve ser.

Tão mediano que ninguém sabia como era casado, muito embora sua esposa pudesse ser definida como o paradigma da feiura. 

E, por algum motivo em especial, Maria Ângela se encantou por Eduardo, o que despertou a curiosidade de todos seus colegas.

Essa curiosidade se dava em parte por Maria jamais ter se interessado por um colega, em parte porque o alvo era o insosso Eduardo.

O que a bela Maria Ângela havia visto nele, afinal?

Até mesmo as demais colegas de Eduardo, que sequer conversavam muito com ele antes do repentino interesse de Maria, acabaram se revelando curiosas. 

Da noite para o dia, concluíram que havia algo de especial naquele homem, só faltava descobrir o quê. 

Antes que isso acontecesse, contudo, Maria Ângela - munida de toda sua exuberância - foi ao ataque. 

Nem mesmo uma leoa na savana faria frente à obcecada Maria Ângela. 

Para encurtar a história, Maria agarrou Eduardo num happy hour na frente de todos os colegas, não poupando nem mesmo a chefia que, extraordinariamente, fazia-se presente naquela noite.

O fato, como não podia ser diferente, causou furor. De um jeito ou de outro, mexeu praticamente com todos que ali estavam.

O mais afetado, porém, foi o próprio Eduardo.

A verdade é que Eduardo ficou burro apaixonado, mas tão burro, que acabou perdendo o bom senso. Junto com ele, a esposa, o emprego e quase todo o resto.

Só não perdeu Maria Ângela que, até os dias de hoje, se refestela com ele após incessantes noites de amor.

E quando um ex-colega o encontra na rua e pergunta se valeu a pena mudar toda sua vida por causa de uma única mulher, Eduardo sempre responde exatamente a mesma coisa:

- Você não faz ideia, meu amigo! Você não faz ideia...

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Com a boca "ferrada"!

Imagem: www.bichospetshop.com.br
Faz alguns meses que tive a infeliz ideia de colocar aparelho ortodôntico (fixo).

Então, após alguns exames de praxe, acabei colocando o bendito no início desta semana.

Hoje, passados três dias, resumo a experiência em uma única frase:

Sorte que arrependimento não mata. Do contrário, este texto estaria sendo psicografado.

Bicho, essa ferragem toda na boca é ruim demais! 

Tanto que a impressão que tenho é que foi instalada uma antena parabólica dentro da minha boca. 

Estranho pacas. Nem mais, nem menos.

Não bastasse isso, no momento, sequer consigo morder um pedaço de pão sem sentir dor, quiçá coisas crocantes como uma simples e inofensiva bolacha.

Mas tem coisa pior: tudo que você come - absolutamente tudo - fica grudado no aparelho, o que torna sua higiene bucal um verdadeiro tormento.

Só de olhar uma comida específica já fico cansado de pensar no tempo que vou levar para limpar os dentes depois...

Se eu não fosse tão branco, cogitaria me alimentar do sol daqui por diante.

Sério, gurizada fandangueira, a "boca não é boa" (literalmente)!

Brincadeiras e exageros à parte, espero que tais sensações melhorem com o passar do tempo, como todos que já usaram aparelho sugerem.

Na verdade, tenho certeza disso. 

E, quem sabe, terei uma aparência melhor no final do tratamento, se é que isso é mesmo possível.

Afinal, a ideia é essa.

Oremos.