terça-feira, 22 de maio de 2012

Eterno esforçado...

Às vezes, quando leio um texto genial, pergunto-me aonde eu estava com a cabeça quando criei este blog e saí por aí distribuindo meus pensamentos a esmo.

Não raro, sinto-me indigno de disseminar textos e, por que não, minha forma (implícita) de pensar.

Afinal, não estar à altura daqueles que admiramos é, sem rodeios, deveras broxante. Quase triste. Uma lástima.

Do que me adianta um português honesto sem textos inspiradores?

Queria ter nascido com a sorte daqueles que possuem o dom, e não ser um eterno esforçado. 

Estar sempre em busca das palavras certas é extenuante, sobretudo quando o resultado costuma passar longe da intenção inicial que, inexoravelmente, é a perfeição: utópica por natureza.

Penso que os bons escritores repousam suas mãos sobre o teclado e deixam que estas façam o trabalho sujo, como se as ideias despejadas tivessem sido concebidas sem qualquer esforço.

Sejamos francos, escrever textos comuns, na melhor acepção desta palavra, é tarefa fácil. Nada que um pouco de repetição não resolva

Mas quantos textos honestos são necessários para que alcancemos outro patamar?

Talvez muitos. 

Talvez seja apenas perda de tempo.

sábado, 28 de abril de 2012

Mais do que silêncio


Foto: travetor.blogspot.com

Sobressalto talvez seja a palavra certa para descrever a forma como acordei. Minha primeira reação foi olhar para o relógio sobre a cabeceira que, impiedosamente, insistia em marcar 04:35 AM.

O frio, que não dava trégua, era tão angustiante quanto o sentimento que insistia em rasgar meu peito. Precisava tomar uma atitude, enfim, sair da inércia.

Já com o telefone em mãos, senti o coração pulsar numa velocidade próxima a de uma arritmia. Foi nesse exato momento que tive certeza de que aquilo que sentia era realmente forte. Realmente intransferível.

A cada toque, um suspiro. A cada suspiro, um toque.

- Alô - disse ela, ainda com a voz rouca por conta do sono interrompido.

Sua voz, embora charmosa o bastante para enlouquecer um homem, lembrou-me de que não havia pensado no que dizer; apenas deixei-me conduzir pelo momento.

Poderia ficar horas naquele telefone falando sobre meus sentimentos, sobre as noites mal dormidas, sobre as inquietudes que ela provocava no meu ser... Minha voz, contudo, como se quisesse contrariar os comandos pragmáticos do meu cérebro, insistia em não sair.

- Alooô - repetiu ela, agora esticando a letra "o".

Sua voz me fez tremer das cabeça aos pés. O problema era que eu precisava mais do que silêncio naquele momento.

- Seja quem for, é melhor falar de uma vez. Do contrário... - disse ela, agora em tom desafiador.

- Oi - falei, enfim.

Alguns segundos de silêncio se sucederam ao meu solitário cumprimento, o que só fez aumentar meu medo de rejeição. 

A minha primeira chance também poderia ser a última.

- Renato, é você? - perguntou-me ela.

Suspirei antes de responder afirmativamente.

- Aconteceu algo? 

- Sim... - disse-lhe. E nos 7 minutos seguintes passei a expressar todo meu ardor. Todo meu desejo. Todas as razões do meu desespero.

Pude sentir algo parecido com reciprocidade em sua voz, o suficiente para me deixar feliz. Naquela noite, ainda conversamos por mais duas horas antes de desligarmos. 

No dia seguinte, contudo, como se tudo não tivesse passado de um sonho, fui tratado com uma frieza surpreendente.

Interpretei tal gesto como se medo fosse. No mais, deixei a vida seguir o curso de outrora.

Não fiquei satisfeito, é verdade, mas tirei um peso enorme dos ombros. Afinal, sabia que havia feito minha parte.

Qual fosse o resultado, não dependia mais de mim. Nunca dependeu.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Pense antes de escrever

Foto: blogdocarlyto.com.br

Pergunto-me, às vezes, o porquê de tanta irritação nessas redes sociais.

Basta alguém publicar um comentário infeliz - algo corriqueiro nos dias de hoje - para que um desses esquentadinhos de plantão despeje toda sua ira.

Por que tanto ódio?

Também não concordo com muita coisa que leio (muita coisa mesmo), mas nem por isso fico arranjando confusão toda vez que acontece isso.

Quando leio algo do meu desagrado, e desde que desperte meu interesse, vou lá e faço um comentário educado a respeito. Discordando ou não, é sempre educado. Ponto.

Discordar xingando é, no mínimo, uma atitude idiota. E idiotas perdem a razão sempre, independentemente de qualquer coisa.

É compreensível que algumas pessoas sejam explosivas por natureza, mas é preciso pensar antes de agir.

No mundo virtual, diferente da vida real, não dizemos as coisas e elas são simplesmente publicadas. Antes, temos que escrever a frase e apertar a tecla enter. Nesse interregno, temos tempo suficiente para pensar bastante. Ou não?

E não são apenas as besteiras ditas. Muitos parecem esquecer a incrível  e veloz repercussão do que é dito no mundo digital.

Ao expressar algo para 700 pessoas (ou mais), você, no mínimo, deve imaginar que existem opiniões discordantes/conflitantes

A menos, claro, que você seja do tipo que acha que sua opinião deve sempre prevalecer. Nesse caso, não há salvação. Até porque ainda não inventaram um remédio para burrice. 

Tudo isso me leva à seguinte conclusão: se você não faz o tipo ponderado, pense bem antes de escrever uma crítica ou algo potencialmente ofensivo.

Afinal, por mais que você tenha razão (ou não), ela pode se virar contra você.

Pense nisso.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Faculdades literais

Foto: mercadomineiro.com.br

Imaginem, apenas por alguns segundos, se as faculdades atualmente disponíveis no mercado fossem literais.

Na minha visão, as coisas seriam mais ou menos assim...

A faculdade de Economia ensinaria o sujeito a guardar dinheiro, nada mais do que isso. Seriam os profissionais mais mesquinhos do mercado, cuja única preocupação seria poupar o máximo de dinheiro possível.

Os Bacharéis em Direito, após formados, teriam que fazer tudo direito, sem exceção. Se fizessem uma única coisa errada na vida, como comer nescau de colher, seriam presos sem direito a regressão de regime.

Os Engenheiros Mecânicos, por sua vez, viveriam em eterno conflito pessoal, porquanto sempre se perguntariam: sou engenheiro ou mecânico, afinal?

Contadores seriam aqueles profissionais que contrataríamos apenas nas horas difíceis, como na morte de um ente querido. Bastaria contratar o serviço do contador e ele se incumbiria de "contar" aos demais parentes e amigos que "fulano(a) subiu no telhado".


A faculdade de Engenharia Elétrica, doutro norte, formaria engenheiros ansiosos, profissionais hiperativos. Com o perdão do trocadilho, engenheiros elétricos.


Engenheiros químicos teriam por objeto de estudo apenas os banheiros químicos. Passariam os cinco anos de faculdade tentando melhorar a qualidade daqueles banheiros imundos.

Os profissionais licenciados em História seriam indispensáveis para as crianças, sobretudo na hora de dormir. Ou quando você precisasse contar alguma mentira para alguém.

A faculdade de Artes seria uma boa pedida para aqueles que não viveram a infância a contento. Durante o curso, você teria licença para fazer todo tipo de arte, como pintar as paredes da sua casa com caneta hidrocor, esvaziar os pneus do carro do vizinho, apertar o interfone alheio e sair correndo, etc. 

Enfermagem, por fim, ensinaria-o a ficar enfermo, para o caso de querer se esquivar de algum compromisso específico.

Enfim, penso que as coisas seriam mais ou menos assim se as faculdades fossem realmente literais.

Ps. Expresse o que você achou do texto clicando nos quadradinhos abaixo.

Aquele abraço!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Nem tudo são flores


Marta precisava tomar uma grande decisão, talvez a maior da sua vida.

Embora faltassem apenas três dias para o seu casamento, estava prestes a largar tudo por outro homem.

Túlio, seu noivo, era um homem bom de coração e tudo mais, mas possuía tantos defeitos que era impossível contá-los com os dedos, mesmo se somados os dos pés.

Marta sabia que se agisse da maneira que todos esperavam - leia-se casar com Túlio -, provavelmente seria a mais infeliz das mulheres.

Todos esperavam que assim agisse, afinal, era natural que se casasse com o homem que foi seu namorado por tantos anos.

Todos, menos ela.

A vontade de largar o noivo, contudo, não se resumia aos tantos defeitos deste. Seis ou sete meses antes do casamento, Marta havia se apaixonado por outro homem. 

Paulo, o outro homem, era a exata antítese de Túlio. Alegre, inteligente, engraçado: tudo que Túlio parecia se recusar a ser.

Marta havia conhecido Paulo na biblioteca municipal. Meia hora de conversa foi o suficiente para apaixonarem-se. Coisa de filme.

Mantiveram um relacionamento secreto durante os meses que antecederam a semana marcada para o casamento, até que Marta resolveu terminar tudo.

Sua ética particular não lhe permitira ter um amante após o sagrado matrimônio. Essa nunca foi sua intenção.

No entanto, mesmo faltando apenas três dias para o casamento, era Paulo quem não saía de sua cabeça. Era com ele que imaginava adentrar na igreja de mãos dadas.

Justamente por amar Paulo, e não o noivo, que a decisão de levar ou não adiante o casamento era a mais importante de sua vida

Sabia que se assim procedesse, jamais se divorciaria do marido no futuro. E Paulo, provavelmente, haveria de encontrar uma mulher especial tão logo Marta o deixasse livre.

Marta decidiu não decidir

Amanhã... dizia para si mesma em pensamento, mesmo sabendo que o tempo tornava tudo mais difícil.

E o amanhã se transformou em outro amanhã, até que chegou a data marcada para o matrimônio.

Às lágrimas, naturalmente confundidas por todos como se de emoção fossem, subiu o altar. E de lá saiu casada com Túlio, aquele que jamais fez por merecer seu coração.

Comportou-se exatamente da maneira que todos esperavam. Esqueceu-se apenas do que ela mesma esperava para sua vida.

Até hoje, quando pensa no dia do casamento, Marta lembra da triste expressão de Paulo que, da quarta fila, assistiu a tudo impávido, como quem precisa ver para crer.

Nem tudo são flores na vida. Marta que o diga.

domingo, 25 de março de 2012

Mais do mesmo

A impressão que tenho é que todos leem os mesmo livros, assistem aos mesmos filmes, escutam as mesmas músicas.

Penso, contudo, que não podemos deixar que a mídia nos imponha (sempre) aquilo que vamos consumir no sentido cultural da coisa.

Na qualidade de seres pensantes (com exceção de algumas pessoas), precisamos escolher o melhor. Saber prezar pelo qualitativo.

Em suma: distinguir o bom do ruim. 

Quem sabe, experimentar o diferente, nem que seja para variar um pouco.

A massa está acostumado com isso, até porque nem percebe que as coisas lhe são impostas. Não fazem a menor ideia de que tudo gira em torno do dinheiro, de que são vítimas desse mau gosto distribuído a esmo.

O problema é quando você, que mesmo tendo todas as ferramentas para tanto, não consegue fazer essa distinção.

Inadmissível que uma pessoa que tenha estudado ou que tenha acesso a informações não consiga diferenciar o bom do ruim.

Tenho vontade de chorar quando vejo um desses idiotas colocando no "supersom" do seu carro a péssima música que tocou um dia antes no programa "Jabá do Faustão".

Precisamos mudar. 

Sair do trivial, sobretudo daquela cultura inútil acessível ao povão, se é que podemos chamar essa coisa de cultura.

Ler livros que não aqueles feitos especialmente para a massa, assim como filmes e músicas.

A minoria pode sim ser sábia. 

Oras, se todos nós temos cérebros potencialmente iguais, por que vemos tão poucas pessoas com bom gosto?

Tudo bem, gosto é uma questão bastante particular. Mas se grande parte das pessoas conseguir separar o ruim do resto, aí sim estaremos diante de uma evolução humana incrível.

Não sou ingênuo a ponto de achar que algo dessa magnitude possa acontecer da noite para o dia, porém penso que existe sim uma chance.

Essa chance, como já repeti inúmeras vezes aqui neste espaço, chama-se: EDUCAÇÃO.

É triste, mas enquanto não educarmos a contento as crianças do futuro, continuaremos nos comportando de forma igual. Continuaremos nos comportando como povão sempre.

Por um futuro mais educado, mais inteligente.


Ps. É decepcionante ver a população se queixando de professores pelo simples fato destes quererem fazer greve (leia-se lutar por seus direitos). Isso porque é inadmissível ver um profissional tão imprescindível para o crescimento de uma nação ganhar tão pouco. Professores deveriam ser os profissionais mais valorizados. Ponto.

domingo, 18 de março de 2012

Bela SC!

   Foto: www.portalriodorastro.com.br


Como todos já devem saber, sou gaúcho. Natural de Porto Alegre-RS, para ser mais exato.

Porém, moro aqui em Santa Catarina há quase 15 (quinze) anos, exatamente o mesmo tempo que morei na capital porto-alegrense.
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Hoje, ocorreu-me de falar sobre a experiência de trocar de Estado. Ressalto que usei a palavra "experiência" premeditadamente, porquanto é exatamente isso que uma troca de Estado representa.

Quando cheguei aqui Santa Catarina, no auge dos meus quinze anos (not!), percebi que as coisas eram bem diferentes neste Estado de natureza tão exuberante. A começar, claro, pelas pessoas.

Sempre fui muito bem tratado por todos, com um acolhimento até surpreendente, o que atribuo ao fato de que grande parte das pessoas são descendentes dos não menos acolhedores italianos.

Estranhei bastante no começo, confesso. Mas não tinha como ser diferente diante de tantas mudanças.
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Logo no começo, sofri com as "piadas de gaúcho". E olha que o pessoal daqui gosta de contar essas piadas repetidas vezes.

À época, ficava bravo, fazia cara feia, etc. Hoje, contudo, levo na brincadeira. Se bobear, até ajudo a contar junto. Tudo na boa.

Apenas para fazer uma parêntese, até hoje não entendo essa rivalidade com o Rio Grande do Sul. Lá, por exemplo, não é costume contar piadas envolvendo catarinenses. 
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O mais curioso nisso tudo é que resisti bastante à ideia de vir morar aqui. No começo, aliás, sempre repetia que voltaria a morar em Porto Alegre logo que alcançasse minha independência financeira.


No entanto, o tempo foi passando e comecei a tomar gosto pelo Estado, sobretudo pela bela e pacata Cidade de Lauro Muller/SC. Tanto que pretendo morar aqui pelo máximo de tempo possível.


A calmaria daqui é um tanto viciante, sobretudo para quem é chegado no sossego.


Talvez alguns cidadãos daqui achem que devo estar ficando louco, uma vez que muitos deles querem fugir deste canto do mundo o quanto antes, mas é assim que me sinto com relação à cidade.
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O Estado de Santa Catarina, por si só, é mais pacato. A capital Florianópolis, por exemplo, é super tranquila e não registra índices tão alarmantes de criminalidade, pobreza, desgraças de toda espécie, etc, quanto outras capitais do país.


A impressão que tenho, às vezes, é que estamos algumas décadas atrasados com relação a outros Estados. Muito embora minha afirmação pareça uma crítica, é exatamente o contrário.


Essa coisa de crescer economicamente também pode acabar com uma cidade.


Se você é esperto, sei que entenderá o que estou querendo dizer.
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A verdade é que me apeguei a este lugar. Desde a natureza exagerada até a falta de opções (e suas saídas alternativas), tudo aqui é muito legal. Muito diferente de onde morava antes.


Sim, gosto do muito da minha terra natal. Mas não fossem os parentes, não sei se sentiria necessidade  de voltar lá com frequência.


Enfim, escrevi este texto com o intuito de transparecer o quão este Estado me fascina, o quanto me fisgou com suas particularidades.


Santa Catarina é um excelente Estado. Ponto.


Ps. Quer conhecer mais sobre o Estado? Então acesse o maior portal turístico da região: www.portalriodorastro.com.br