sábado, 27 de janeiro de 2018

O homem que não sorria


João era conhecido por todos por uma característica um tanto heterodoxa: não sorria em hipótese alguma.

Não era apenas mais uma dessas pessoas sérias demais. Ele, literalmente, não sorria.

E nem mesmo a mais fofa das criaturas era capaz de arrancar um sorriso do sério e peculiar João.

No escritório de contabilidade onde trabalhava, havia até uma lenda de que João não sorria desde criança, cuja veracidade, vez ou outra, era questionada pelos mais curiosos.

O fato é que os colegas mais antigos já estavam acostumados com tamanha seriedade. Os mais novos, não.

Certo dia, então, Ana Cláudia, uma contadora recém contratada, não acreditou quando ficou sabendo da característica de seu colega.

Repetia para si mesma em voz alta: - Ninguém fica anos sem sorrir! Ninguém!

Assim, inconformada que só, apostou com os colegas que arrancaria um sorriso de João.

Após uma meia dúzia de chopes, disse a todos em um happy hour: - Serei a primeira a arrancar um sorriso de João, haja o que houver!

Os colegas, contudo, já estavam gastando por conta da aposta. Afinal, se existia algo que não mudava neste mundo era o fato de que João não sorria. NUNCA!


Ocorre que Ana Cláudia era uma mulher insistente. Além disso, era do tipo que não sabia brincar quando o assunto era uma aposta. Fazia chover, se fosse preciso, para  triunfar sobre os outros.


Numa quinta-feira pela manhã, então, começou a puxar assunto com João, o que acabou se repetindo nos dias seguintes.

Uma piadinha aqui, uma gracinha acolá. Porém, nada acontecia. Absolutamente nada.

Ana Cláudia tentou até mesmo fazer cécegas em João. Este, contudo, continuava impávido. 

Tão sério quanto um homem sério deve ser.

Irresignada com seu fracasso, Ana Cláudia resolveu apelar. Era tudo ou nada desta vez.

Então, no final do expediente de uma terça-feira chuvosa, quando se encontravam apenas os dois no escritório, Ana Cláudia foi até a sala de João.

De inopino, entrou, trancou a porta, e disse: - Quero você, João! Quero você agora!

Inicialmente, João achou estranho comportamento de sua colega, mas acabou não resistindo aos seus encantos.

E assim se passaram duas horas de loucuras indescritíveis.

Mas nem mesmo se virando do avesso Ana Cláudia conseguiu fazer João sorrir. Estava realmente difícil. 

Numa última tentativa, então, Ana Cláudia, com a sua voz mais meiga, miou:

- Dá um sorrisinho pra mim, João... Queria tanto de ver sorrir... Só um, vai...

Seu colega, porém, limitou-se a permanecer sério, o que fez com que Ana Cláudia saísse da sala irritada.

João, por outro lado, trancou a porta da sala, sentou em sua cadeira e fechou a cortina. 

Ato contínuo, após se certificar de que não tinha ninguém olhando, abriu um sorriso largo; Um sorriso vibrante; Um sorriso gostoso; Um sorriso que não dava desde os nove anos de idade.   

Finalmente, disse para si mesmo em voz alta: - A vida é boa! 

E, ainda sorrindo, repetiu: - A vida é muito boa!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

A barba



Foto: http://cdn.gq.com.mx/uploads/images

De repente, senti uma vontade de deixar a barba crescer. Uma barba grande e vistosa, estilo "LENHADOR NUTELLA", saca?

O porquê disso eu não sei, mas acabei sucumbindo a essa vontade e deixei os pelos faciais avançarem sem freio para ver no que ia dar.

E cá estou com uma barba "legalzinha". Se é que uma barba pode ser adjetivada dessa maneira.

No começo, admito que foi estranho sair com o rosto coberto de pelos, tipo um neandertal, mas fui me acostumando aos poucos, a ponto de não mais me imaginar sem ela (a barba).

A impressão que tenho, talvez equivocada, é que fiquei com mais personalidade.

Tipo "ali está um cara que sabe o que quer" (fui obrigado a rir dessa...


Mas, talvez, tenha ficado apenas mais feio mesmo; um risco sempre presente.


Claro que o resultado dessa barba desmedida não tem se mostrado uma unanimidade. 

Na noite de natal mesmo, fui chamado de Enéas (procure no google se você tiver menor de 30 anos). E, alguns dias antes, de papai noel. 

Papai noel? Sacanagem...

---------------------------- PAUSA PARA UM CAFÉ -------------------------------

Retomando: Há, por outro lado, alguns poucos apoiadores da causa, cuja opinião, por questões óbvias, aprecio muito.

De qualquer forma, optei por permanecer barbudo por mais um tempo. Pelo resto da vida, quem sabe...

Até porque, seria uma injustiça com quem quer ter barba e não pode, seja pelo motivo que for.

Abdicar de usar barba, então, ainda mais nos dias de hoje, representaria uma espécie de desperdício de talento.

E como homens médios não podem se dar ao luxo de desperdiçar um talento, dada a sua escassez, nada me resta senão manter a barba no rosto até segunda ordem.  

Afinal, como disse antes, estou gostando da brincadeira.

Talvez até um pouco demais...


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

O feitiço

Foto: http://www.robsonpiresxerife.com/wp-content/uploads/2012/09/caldeirao.jpg

- Preciso de um feiticeiro – foi a primeira coisa que Rubens disse  tão logo Aderbal, seu melhor amigo, entrou no bar.

- Como assim? – perguntou Aderbal, um tanto surpreso com a frase dita por Rubens, que, até onde conhecia, era cético o bastante para rechaçar qualquer coisa parecida.

Rubens, então, num misto de animação e sofreguidão, disse:

- Estou apaixonado, meu caro.

- A – P – A – I – X – O – N – A – D – O! – repetiu Rubens, como se estivesse naquele programa de gosto duvidoso chamado soletrando.

Inicialmente, Aderbal pôs-se a sorrir. Poucos milésimos de segundos depois, contudo, perguntou:

- Apaixonado por quem?

- Pela Marta, da contabilidade – respondeu Rubens.

- Mas como isso aconteceu?

- Lembra daquele churrasco que fizemos na casa do Aroldo no ano passado? Na beira da piscina e tal... Lembra?

- Lembro – disse Aderbal.

- Então... nunca mais fui o mesmo depois daquele churrasco. Lembro como se fosse hoje quando vi a batata da perna da Marta  pela primeira vez – completou Rubens, pouco antes de dar um longo suspiro.

- Batata da perna? – perguntou Aderbal com cara de quem não entendeu direito.

- É... batata da perna... Panturrilha! Saca?

Em seguida, Rubens emendou: - A verdade é que, depois que vi a batatinha da perna da Marta, acabei me apaixonando por ela... não sei dizer o porquê, mas aquela panturrilha foi demais para mim... E, desde então, não consigo fazer outra coisa senão pensar nela... é tipo uma maldição...

- Por isso o feiticeiro? – perguntou Aderbal, sorrindo.

- Exato.

- Mas, afinal, qual o problema de você se apaixonar pela batata da perna da Marta? – tornou a perguntar Aderbal, ainda sorrindo.

- Sou casado, lembra? – respondeu Rubens, de bate pronto.

- Você está apaixonado por uma batata da perna. E, até onde sei, isso não é tecnicamente uma traição – ponderou o amigo, como se quisesse amenizar sua culpa.

- Pode até ser - respondeu Rubens, balançando a cabeça. 

Porém, após alguns poucos segundos, disse: 

- Só tem um pequeno problema... tenho certeza que minha mulher não vai gostar nada  nada dessa coisa de se apaixonar pela batata da perna alheia. Tenho certeza...

- Ao feiticeiro, então? - perguntou Aderbal.

- Ao feiticeiro! - respondeu Rubens. 

E completou: - Mas tem que ser dos bons! - Dos bons!

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Questão de prioridade


Dia desses, estava lendo um texto sobre a mudança de prioridades entre a nossa geração e a de nossos pais.

O texto mencionava, dentre outras coisas, que a necessidade de acumular bens materiais é coisa do passado. Agora, o objetivo é viver uma vida plena/intensa enquanto se é jovem, com o que tive que concordar.

Acredito que esse negócio de juntar dinheiro em cima de dinheiro para quem sabe num futuro nem tão próximo assim desfrutar da vida, de fato, é uma máxima que se encontra ultrapassada.

Por que fazer aquilo que gostamos quando estivermos aposentados (e sem energia) se podemos fazer agora?

Faz sentido, não?

Tenho certeza de que a vontade do meu pai, quando tinha a minha idade, não era enfiar a cara nos livros por anos a fio para passar em um concurso público, tal como ele fez.

Fez isso por necessidade, por vontade de dar um futuro melhor aos filhos, o que, é importante mencionar, conseguiu por méritos próprios.

Definitivamente, sou grato por isso. Afinal, não passamos 1/30 do trabalho que ele passou na vida.

Mas a pergunta é: qual seria a melhor forma de agradecê-lo por isso?

Repetir o padrão (leia-se: ficar estudando por anos a fio em busca de um emprego melhor) ou aproveitar que a questão financeira não é um problema como era na época dele e desfrutar da vida desde já?

Em resumo, penso que deixar para fazer aquilo que nos interessa no futuro nunca será uma boa ideia. Mesmo porque, a incerteza a ele inerente pode fazer com que nossos planos limitem-se ao papel, que, como sabemos, tudo aceita.

Não vou bancar o descolado aqui e dizer que também não me importo com um futuro financeiramente seguro e coisas do tipo. Porém, estou tentando, na medida do possível, aproximar-me mais dos ideais desta nova geração.

Viver o aqui e o agora enquanto estou aqui e agora.

De qualquer forma, no fim das contas, talvez o ideal mesmo seja o bom e velho equilíbrio. 

Mas quem disse que é fácil equilibrar-se? (pergunte a um equilibrista para ver só).

O problema é que a balança sempre acaba pendendo para um lado.

Que penda, então, para o melhor lado: para o lado que sabe desfrutar da vida.

Oremos.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Pedalando por aí...

Já faz algum tempo que me apaixonei por esportes, a ponto de me sentir doente se não me exercitar quase que diariamente.

E, nesses últimos meses, tenho me encantado cada vez mais por um esporte em particular: o ciclismo.

Diferentemente da corrida - que, via de regra, nos limita a poucos quilômetros - e da musculação - que é uma modalidade praticada indoor -, o ciclismo é um esporte que nos faz conhecer e explorar lugares.

Pode soar um tanto clichê o que eu vou dizer agora, mas o ciclismo faz com que nos sintamos vivos - aquele papo de conexão com a natureza, por incrível que pareça, faz algum sentido. 

Mas, mesmo tendo as qualidades acima, o ciclismo é considerado um esporte bastante vigoroso, na medida em que exige bastante do corpo.

E quando eu digo "bastante", eu quero dizer muito mesmo. Afinal, só quem já subiu uma serra em cima de uma bicicleta sabe do que eu estou falando.

Sofrimento puro. Nada mais, nada menos.

Sem falar dos gastos que temos com esse esporte que, infelizmente, é considerado caro.

O mais curioso, contudo, é que, independentemente de tudo isso, sempre voltamos e fazemos tudo de novo. 

Não sei explicar ao certo, mas a sensação que nos acomete após uma longa pedalada é incrível. Praticamente uma injeção de endorfina direto na veia.

Por mais paradoxal que seja: quanto maior o esforço, maior a satisfação.   

Sei que talvez esteja soando um tanto exagerado, mas se eu pudesse pegar essa "sensação pós-pedalada" e colocar dentro da cabeça de outras pessoas, tenho certeza que teriam mais praticantes desse esporte por aí. 

Satisfação garantida.

Enfim, apenas gostaria de compartilhar o meu amor por esse esporte tão incrível.

Abaixo, seguem algumas fotos que tirei  ao longo desse último ano.






sexta-feira, 29 de abril de 2016

Aquela dos olhos negros

Foto: http://rockntech.com.br
Já fazia algum tempo que Maurício estava encantado por Renata, uma de suas colegas de estágio que detinha um belo par de olhos negros.

Todos na empresa, invariavelmente, já haviam percebido que Maurício estava literalmente de quatro por sua colega, inclusive a própria Renata.

Renata, aliás, parecia estar gostando de exercer esse papel de mulher venerada. 

Os colegas de trabalho de Maurício, por outro lado, alertavam-no a todo instante acerca do perigo que estava correndo ao tentar se envolver com a bela e, aparentemente, recatada Renata.

Insistiam na tese de que Maurício iria sair com o coração dilacerado desse relacionamento que sequer havia iniciado.

Tanto que a frase que mais se ouvia na empresa era "aquela dos olhos negros vai machucar seu coração".

Maurício, por sua vez, dava de ombros aos avisos dos colegas; mesmo porque, estava aficionado por aquela mulher e faria de tudo para tê-la em seus braços antes que acabasse seu estágio, cujo fim se aproximava a passos largos.

Assim, resolveu intensificar os ataques. Era tudo ou nada.

De repente, então, qualquer coisa era motivo para Maurício puxar uma conversa, encostar a mão no ombro de sua colega, buscar uma xícara de café, dentre outros tantos atos (friamente calculados) praticados na tentativa de conquistá-la.

E nem mesmo os mais pessimistas dos colegas, que diziam que Renata era mulher demais para ele, conseguiram demovê-lo da ousada ideia.

À medida que o tempo passava, contudo, Maurício ia ficando cada vez mais sôfrego. Afinal, por mais esforços que envidasse, não conseguia sair do zero a zero.

A questão é que Renata dava corda ao seu colega - até demais -, mas acabava sempre recuando no momento final, o que ia minando as intenções de Maurício pouco a pouco.  

Até que chegou o fim de seu estágio e, com ele, o dia em que Maurício, não aguentando mais o "chove não molha", abriu seu coração aos colegas mais próximos.

Falou, em apertada síntese, num misto bizarro de agonia e felicidade, que Renata estava lhe consumindo como nenhuma outra.

Um de seus colegas, então, colocou a mão sobre seu ombro e, de uma forma nada reconfortante, perguntou:

- Nós avisamos que aquela dos olhos negros iria machucar seu coração, não avisamos?

- Avisaram... - respondeu Maurício, um tanto triste, um outro tanto conformado. 

E completou: - Pior que avisaram... 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Você não faz ideia...

Eduardo sabia que estava em apuros. Contudo, isso não o impedia de prosseguir; afinal, a iminência do desastre era justamente o que o motivava.

O desastre, no caso, tinha um nome. Para ser mais exato, um nome composto: Maria Ângela.

Maria, que de anjo não tinha nada, era a antítese de seu correspondente bíblico. 

Praticamente, um pecado com pernas, cujas formas eram belas o bastante para atormentar quase que a totalidade das pessoas que trabalhavam na vigilância sanitária de um município do oeste do Estado.

Eduardo, por outro lado, era o típico homem médio: Nem belo, nem feio; Nem gordo, nem magro; Nem rico, nem pobre.

Em suma, médio como um homem médio deve ser.

Tão mediano que ninguém sabia como era casado, muito embora sua esposa pudesse ser definida como o paradigma da feiura. 

E, por algum motivo em especial, Maria Ângela se encantou por Eduardo, o que despertou a curiosidade de todos seus colegas.

Essa curiosidade se dava em parte por Maria jamais ter se interessado por um colega, em parte porque o alvo era o insosso Eduardo.

O que a bela Maria Ângela havia visto nele, afinal?

Até mesmo as demais colegas de Eduardo, que sequer conversavam muito com ele antes do repentino interesse de Maria, acabaram se revelando curiosas. 

Da noite para o dia, concluíram que havia algo de especial naquele homem, só faltava descobrir o quê. 

Antes que isso acontecesse, contudo, Maria Ângela - munida de toda sua exuberância - foi ao ataque. 

Nem mesmo uma leoa na savana faria frente à obcecada Maria Ângela. 

Para encurtar a história, Maria agarrou Eduardo num happy hour na frente de todos os colegas, não poupando nem mesmo a chefia que, extraordinariamente, fazia-se presente naquela noite.

O fato, como não podia ser diferente, causou furor. De um jeito ou de outro, mexeu praticamente com todos que ali estavam.

O mais afetado, porém, foi o próprio Eduardo.

A verdade é que Eduardo ficou burro apaixonado, mas tão burro, que acabou perdendo o bom senso. Junto com ele, a esposa, o emprego e quase todo o resto.

Só não perdeu Maria Ângela que, até os dias de hoje, se refestela com ele após incessantes noites de amor.

E quando um ex-colega o encontra na rua e pergunta se valeu a pena mudar toda sua vida por causa de uma única mulher, Eduardo sempre responde exatamente a mesma coisa:

- Você não faz ideia, meu amigo! Você não faz ideia...

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Com a boca "ferrada"!

Imagem: www.bichospetshop.com.br
Faz alguns meses que tive a infeliz ideia de colocar aparelho ortodôntico (fixo).

Então, após alguns exames de praxe, acabei colocando o bendito no início desta semana.

Hoje, passados três dias, resumo a experiência em uma única frase:

Sorte que arrependimento não mata. Do contrário, este texto estaria sendo psicografado.

Bicho, essa ferragem toda na boca é ruim demais! 

Tanto que a impressão que tenho é que foi instalada uma antena parabólica dentro da minha boca. 

Estranho pacas. Nem mais, nem menos.

Não bastasse isso, no momento, sequer consigo morder um pedaço de pão sem sentir dor, quiçá coisas crocantes como uma simples e inofensiva bolacha.

Mas tem coisa pior: tudo que você come - absolutamente tudo - fica grudado no aparelho, o que torna sua higiene bucal um verdadeiro tormento.

Só de olhar uma comida específica já fico cansado de pensar no tempo que vou levar para limpar os dentes depois...

Se eu não fosse tão branco, cogitaria me alimentar do sol daqui por diante.

Sério, gurizada fandangueira, a "boca não é boa" (literalmente)!

Brincadeiras e exageros à parte, espero que tais sensações melhorem com o passar do tempo, como todos que já usaram aparelho sugerem.

Na verdade, tenho certeza disso. 

E, quem sabe, terei uma aparência melhor no final do tratamento, se é que isso é mesmo possível.

Afinal, a ideia é essa.

Oremos.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Envelhecendo aos 46 do segundo tempo!


Imagem: http://3.bp.blogspot.com/

Julho chegou e, com ele, a iminência de mais um aniversário.

A iminência porque ele se dá praticamente no apagar das luzes do mês: no emblemático dia 30 (confesso que o "emblemático" foi por minha conta).

É como envelhecer aos 46 minutos do segundo tempo. 

Invariavelmente, sempre tenho a impressão de que o mês de agosto chegará antes de envelhecer mais um ano de vida.

Este ano, completarei 32 anos. 

T - R - I - N - T - A - E - D - O - I -S!

Pergunto: Assusta um pouco?

Respondo: Sim, assusta!

Mas me conforta o fato de que, se estou envelhecendo, é porque estou vivo. E estar vivo costuma ser sempre bom.

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Querendo ou não, "fazer aniversário" o torna propenso a conjecturas. 

No mínimo, faz você repensar seus últimos atos, o caminho que você optou seguir, etc. É mais ou menos como um último dia do ano, só que fora de época.

Percebi que até mesmo as tolas e vagas previsões da astrologia parecem fazer sentido nessa época do ano; Afinal, é sempre mais fácil atribuir eventual insucesso ao seu suposto "inferno astral".

Particularmente, gosto dessas sensações inerentes ao "pré-aniversário", pois sempre tenho a impressão de que algo grandioso está prestes a acontecer.

Às vezes, algo grandioso acontece. Às vezes, não.

Enfim, o fato é que estou envelhecendo. E não há nada a fazer a esse respeito.

Nada!

Então, segue o jogo!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Apenas conjecturas

Hoje o dia está um tanto estranho.

Acredito que seja pelo fato de ter voltado de férias em plena quinta-feira. 

Um verdadeiro disparate.

Segunda com cara de quinta. Ou será quinta com cara de segunda?

Questão de ponto de vista.

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Dia desses, vi uma propaganda bem interessante.

O personagem da propaganda disse:

"Todo dia me levanto e vejo no espelho o cara que vai resolver todos os meus problemas".

Simples e clichê, porém genial.

Isso é o que a maioria das pessoas não percebe

Afinal, quem vai resolver seus problemas senão você mesmo?

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E essa onda absurda de calor que anda castigando o país sem qualquer dó?

"...Eu não sei o que o meu corpo abriga nestas noites quentes de verão..."

Se a temperatura aumentar, sei não.

Talvez esse seja o preço por termos nos apropriado do mundo munidos de motosserras.

E se você acha que não contribui/contribuiu nem um pouco com o desmatamento, está muito enganado.

Lembre-se: no local onde você mora atualmente já existiu uma árvore num passado nem tão distante. 

Ou mais.

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Já falei que sou um desastre quando o assunto é dormir?

Então... 

Todo dia é a mesma coisa. Mesmo estando cansado e com sono, deito e nada.

Invariavelmente, costumo levar mais de hora para pegar no sono.

Rolo para um lado, depois para o outro, e assim sucessivamente. Até que, 237 roladas depois, acabo adormecendo.

Confesso que isso enche o saco às vezes

Seria bem legal deitar e dormir direto, sem quaisquer conexões,  para variar um pouco.

E esse calor absurdo não contribui em nada com minha droga de sono. 

Faz parte.

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Boa noite (BONNER, Willian, 2014).

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O princípio das férias

Fotolugardeamar.blogspot.com

O princípio das férias, via de regra, costuma ser deveras estranho.

Isso porque, após trabalharmos num ritmo frenético durante meses, tudo acaba de inopino.

E seu corpo, até então tomado por aquela adrenalina inerente aos últimos dias de trabalho, parece não entender direito o que está acontecendo.

É como se alguma coisa estivesse errada.

Tanto que quase chegamos a sentir um pouco de culpa por conta da inércia que nos consome.

"Como assim não preciso trabalhar várias horas?" - perguntará o hemisfério direito do seu cérebro.

E, quando você se der conta, estará sentado no sofá sem saber o que fazer. 

No mínimo, sem saber o que pensar a respeito da calmaria que ganha terreno em sua vida até então abarrotada de tarefas.

Claro que tudo isso passa no momento em que você percebe que pode beber uma cerveja às 14 horas de uma segunda-feira qualquer sem remorso algum.

O problema é que, até chegar nesse estágio, você acaba perdendo algumas preciosas horas de adaptação. 

Os mais radicais costumam dizer, aliás, que quando finalmente nos adaptamos ao ritmo das férias, é porque elas (infelizmente) estão acabando.

Resta, pois, torcer para que as férias passem beeeeeeem devagar. 

Tão devagar quanto uma terça-feira chuvosa... 

Enfim, que venham as férias!

sábado, 23 de novembro de 2013

Sábado na ponta do lápis

Acordei com vontade de escrever. E com azia.

O segundo fato atribuo à absurda quantidade de peixe frito que comi ontem à noite. Exageros desmedidos costumam causar algum tipo de estrago.

Acordei, também, por mais estranho que isto pareça, com uma ideia para um talk show.

Pensei em escrever sobre o assunto, mas acho que seria demasiadamente chato, em especial para as três ou quatro pessoas que estiverem lendo este texto (risos).

De qualquer forma, acho que seria um sucesso (o talk show). Ou não, como diria Caetano.

Hoje pela manhã, uma olhadela no calendário me lembrou de algo importante: faltam poucos dias para as minhas tão aguardadas férias.

São essas coisas que nos fazem desejar que os dias passem mais rápido. E, ironicamente, é por isso que não conseguimos acompanhar a vida a contento.

De repente, bateu uma vontade de ter um cachorro. Mas acho que vou acabar me contentando com um cachorro-quente mesmo.

Sempre tenho em mente que devemos ter cuidado com aquilo que desejamos. Afinal, nem sempre o que queremos é melhor do que aquilo que a vida nos reservou. Pelo menos é o que eu acho.
 
Estou um pouco ansioso esta semana. Tudo porque comprei um smartphone novo e ele só vai chegar semana que vem. Sei que é um tanto idiota da minha parte, mas fazer o quê?
 
Pausa para um café. A propósito, já disse que sou viciado em café?
 
Fui ao supermercado alguns minutos atrás e fiquei admirado com um cidadão que levou cinco caixas da cerveja Bavária para casa.
 
Quem, em sã consciência, levaria cinco caixas de Bavária para casa?
 
É aquela velha história: qualidade x quantidade. Particularmente, prefiro qualidade.
 
E convenhamos que esse não deve ser o caso do nosso amigo da Bavária.
 
Outra coisa que notei é que sou péssimo em reconhecer pessoas na rua. Tanto que, vez ou outra, sou cumprimentado por pessoas que achava que não conhecia. 
 
Muitas pessoas devem sofrer desse mesmo mal. Pelo menos, assim espero
 
Finalmente, a noite de sábado vai ganhando o horizonte.
 
E noites de sábado são tão legais, mas tão legais, que até mesmo as noites de sábado gostam das noites de sábado.
 
Enfim...
 
Vou aproveitar que preciso de mais um café e encerrar por aqui.

Até um próximo texto. Talvez, até logo mais.