sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Tudo ou nada - Capítulo 4

Na manhã que sucedeu ao primeiro encontro, Pedro e a moça do nome composto voltaram a se falar via telefone.

No melhor estilo Eduardo e Mônica, "conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer".

Todos os dias, todas as horas.

Absolutamente tudo era motivo para conversarem mais e mais.

A empolgação era visivelmente mútua, e quase saltava a tela de seus smartphones de sistemas operacionais diferentes, o que tornava tudo ainda mais interessante.

Desta vez, contudo, a conversa havia ganhado outro tom.

Era um papo mais vertical. Mais "pra dentro", como diria um ponta esquerda da década de 70 sedento por gol.

Conversavam sobre tudo (ou quase tudo). E gostavam, até de mais, do que ouviam um do outro. 

Era tão bom, mas tão bom, que causava uma certa desconfiança.

Mesmo porque, essa generosidade gratuita e repentina de um eventual ser supremo não poderia causar outro sentimento senão estranheza.

Conversa vai, conversa vem, naturalmente, descobriram que não compartilhavam de alguns gostos.

Porém, "e mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente, uma vontade de se ver".

O suficiente para que marcassem um segundo encontro, que acabou se consumando alguns poucos dias depois.

Diferentemente do primeiro, desta vez, chegaram juntos ao bar. 

Nitidamente mais à vontade, já adentraram o estabelecimento abraçados.

Definitivamente, sentiam-se bem quando juntos. 

O fato de se conheceram há pouco tempo parecia não ter qualquer influência sobre os dois.

A frequência era a mesma, o que facilitava as coisas.

E sem a "mesa intrusa" de outrora, tudo era motivo para se tocarem.

Quase que de forma deliberada, ignoravam o restante da clientela e se beijavam com vontade.

Adolescente que chama?

Nem mesmo a polícia, que chegou no local na clássica tentativa de filar uma janta free, seria capaz de prender aquele sentimento gostoso que estava solto no ar (péssima essa, né?).

De qualquer forma, tudo corria melhor do que o esperado. Tudo.

Até que Pedro cometeu um erro gravíssimo

Um erro que, talvez, custasse-lhe a sanidade...

(CONTINUA)

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