sábado, 14 de setembro de 2019

Tudo ou nada - Capítulo 2

Pedro foi o primeiro a chegar no bar

Sem muita enrolação, sentou-se junto ao balcão e pediu o chope mais cremoso da casa.

O momento exigia isso.  

O primeiro gole veio acompanhado de um "ahhhhhh" quase inaudível que ele fez questão de soltar enquanto olhava com relativo orgulho para o copo. 

Nada como um bom chope para apaziguar a alma, pensou.

Passado o rápido momento de euforia etílica que somente o primeiro gole é capaz de proporcionar, voltou a pensar no motivo que o levara até ali.

Olhava o relógio com a mesma frequência de quem o faz em relação a uma leiteira fervente, ainda que isso soe um tanto démodé.

De qualquer forma, estava bastante ansioso

Tudo o que queria era conhecer aquela mulher aparentemente tão incrível.

Ele não queria aquilo, ele precisava daquilo.

Então, num rompante no melhor estilo hollywood, a moça do nome composto adentrou o bar.

Ela era alta, definitivamente. E seu belo e longilíneo corpo só fazia aumentar essa percepção. 

Uma piada sobre o monte Everest tomou-lhe de assalto, mas achou melhor conter-se.

Ela não podia descobrir que ele era doido. Não naquele dia.

E só uma coisa era maior que sua altura: a beleza que irradiava por todos os seus poros.

Sem dúvida, uma mulher manifestamente encantadora.

Sim, ela era mesmo linda, tal como havia imaginado. Não se tratava de mais um truque de instagram, felizmente. 

Seu nome composto, normalmente atribuído a mulheres bonitas, fazia-lhe justiça.

Nesse ínterim de inúmeras e unilaterais constatações, cumprimentaram-se com um breve abraço e um beijo no rosto, como de praxe e, após, sentaram-se um de frente para o outro. 

Joelho encostando em joelho, o que só fez o interesse aumentar vertiginosamente.

Nem o preço do dólar seria capaz de disparar tão rápido.

Já de pegada, questionou Pedro sobre a cor dos seus olhos enquanto os olhava, o que o desconcertou.

Quem, afinal, resiste a uma mulher linda que presta atenção em seus olhos?

Como diria a coruja, who?

E como se já se conhecessem há anos, começaram a conversar com desenvoltura.

Um estranho jamais imaginaria que não se conheciam há poucos minutos.

Sentiam-se estranhamente à vontade um com o outro.

O plano inicial havia sido rasgado. Algo melhor parecia apontar no horizonte.

Pedro estava sorrindo por dentro.

Agora, não era mais tudo ou nada. 

Não... 

Agora, era tudo ou tudo.

CONTINUA...


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